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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Entradas e Bandeiras


Imagem que representa o bandeirante Domingos Jorge Velho. Fonte:  blog.educacional.com.br




Entradas e bandeira foram expedições de desbravamento do interior do Brasil realizadas entre o século XVII e XVIII, geralmente a partir da capitania de São Vicente, em direção a todas as regiões do país. De maneira geral, dizemos que entradas eram as campanhas oficiais financiadas pelo governo, elas partiram da Bahia, Espírito Santo, Ceará, Sergipe e Pernambuco para o interior com a missão de descobrir metais e pedras preciosas; já as bandeiras resultavam da iniciativa de particulares. Os principais objetivos das bandeiras eram: a caça ao índio, a busca por metais preciosos e o sertanismo de contrato. Elas também contribuíram muito para a conquista de novos territórios, desconsiderando a linha de Tordesilhas, resultaram no maior ciclo de expansão dos domínios portugueses na América.

A expansão bandeirante

A pobreza da inicialmente próspera capitania de São Vicente, diante do sucesso do empreendimento açucareiro no nordeste, levou à organização de bandeiras.
Caça ao índio: Nas últimas décadas da União Ibérica(1580-1640), época em que Portugal estava submetido ao domínio espanhol, os holandeses tomaram dos portugueses os principais pontos de tráfico de escravo na costa da africana. Com exeção de Pernambuco, que também estava  sob o domínio holandês, a Colônia não tinha acesso a carregamentos de escravos.A solução encontrada foi a substituição dos negros pelos indígenas. Além da experiência dos vicentinos em organizar expedições para a caça de índios desde o ínicio da colonização, o fato da região ficar longe da metrópole, e o solo não ser muito  bom para à cana-de- açúcar levou os Paulista a buscarem novas alternativas econômicas.
Muitas bandeiras atacaram as missões jesuíticas do oeste e sul da Colônia, capturando  dezenas de milhares de nativos. Os indígenas aculturados tinham valor mais alto que os demais, por estarem mais  adaptados ao trabalho agrícola segundo o modelo europeu.
A atividade apresadora de indígenas entrou em decadência com o fim do domínio espanhol e a retomada do comércio de africanos pelos portugueses, normalizando o abastecimento de escravos para a Colônia. As incursões eram comandadas por portugueses ou descendentes desses, como António Raposo Tavares e Fernão Dias Pais Leme.

Há diversas pinturas na biblioteca monástica paulistana. Dentre elas destaco um quadro trasladação dos restos mortais do bandeirante Fernão Dias Paes leme para o interior da Igreja do Mosteiro no Século XVII. Sua sepultura encontra-se no transcepto da Basílica do Mosteiro até hoje.  No quadro pintado por Joaquim da Rocha Ferreira em 1953, dá para perceber a antiga edificação do Mosteiro paulista, demolido no início do Século XX para a construção do prédio atual.
Fonte:Culturageralsaibamais.wordpress.com


Em busca do ouro

Em 1648, Portugal retomou o controle sobre o tráfico negreiro no Atlântico. Paralelamente, a produção de açúcar, então principal atividade econômica da colônia, começava a entrar em decadência. Os dois fatores contribuíram para surgimento de um novo tipo de expedição, asbandeiras de prospecção, que buscavam metais preciosos, com o incentivo da coroa portuguesa. As primeiras rumaram ao atual estado de Minas Gerais, permitindo o surgimento da intensa atividade mineradora que ali se desenvolveu no século XVIII. Em seguida, direcionaram-se a Mato Grosso e a Goiás, onde também encontraram ouro. Os principais líderes foram: Bartolomeu Bueno da Silva, Fernão Dias Pais Leme e Manuel de Borba Gato.

 


Manuel de Borba Gato, genro de Fernão Dias.Fonte: Flick.com
As descobertas de Borba Gato levaram o governo do RJ a perdoá-lo pelo assassinato de Rodrigo Castel-Branco




Sertanismo de Contrato

Por conhecer bem os sertões, muitos bandeirantes foram contratados por fazendeiros para combater índios e negros que resistiam à escravidão. As mais conhecidas foram as comandadas pelo Paulista Domingos Jorge Velho, nas décadas de 1680 e 90, e resultaram na destruição do Quilombo dos Palmares. Os bandeirantes receberiam, pelo trabalho prestado, sesmarias na área do quilombo e um quinto da riqueza tomada aos negros, além de uma gratificação por escravo devolvido. Seus eventuais crimes seriam perdoados pelo governador e pelo ouvidor-geral.

O Mito dos heróis bandeirantes

"As bandeiras procuravam riquezas, submetendo nativos e escravos fugidos e descobrindo metais preciosos. A versão histórica de glorificação desses aventureiros desbravadores de nosso território surgiu no século XIX. O viajante francês Saint Hilaire, que esteve no Brasil entre 1816 e 1822, escreveu sobre a expansão interiorana dos paulistas, enfatizando a coragem desses conquistadores e referindo-se a eles como "uma raça de gigantes". Outros historiadores seguiram pelo mesmo caminho, exaltando os feitos dos bandeirantes, transformando-os em homens cultos, ricos e "heróis da pátria". Contudo, considerando-se que, dos séculos XVI ao XVIII, o Brasil ainda era português, não se sustenta essa ideia de "heróis nacionais". E mais: os bandeirantes primaram pelo uso da violência, escravizando indígenas e atacando jesuítas e escravos rebelados. Por fim, ao contrário do mito construído, não predominava a riqueza na região paulistana dos bandeirantes, pois em boa parte eles haviam sido pequenos lavradores desejosos de mão de obra escrava indígena e pequenos comerciantes que procuravam a fortuna rápida."
Trecho do livro de Cláudio Vicentino História Geral e do Brasil. ed. Scipione, São Paulo, 2011, pg.104. 

Tráfico Negreiro

                                         TRÁFICO  NEGREIRO
Fonte imagem: gl.wikipedia.org


O Tráfico negreiro antes da chegada dos portugueses na África

A escravidão era conhecida na África negra  (região subsariana = sul do  deserto do Saará) desde tempos remotos, mas tratava-se de escravidãodoméstica, para serviços caseiros e em pequena escala. Somente com a chegada dos árabes é que se introduziu a procura maciça de escravos negros, sendo os sudaneses os preferidos.
Assim, o norte da África foi invadido por árabes beduínos, onde converteram a maioria dos berberes (povos de pele clara) ao islamismo. O domínio árabe intensificou as ligações comerciais entre o norte e o Sudão (África negra).
 Percorrendo o deserto de norte a sul, as caravanas de camelos traçaram uma rede de contatos comerciais constituídas pelas rotas denominadas "transaarianas". O sal, o ouro e os escravos eram os principais  artigos desse comércio.
O sal, um produto de primeira necessidade no Sudão, era extraído nas salinas do Saará. Os mercadores do norte trocavam o sal no Sudão Ocidental por cereais, ouro e escravos. Estes destinavam-se ao trabalho nas salinas, de onde tinham poucas chances de retornar.
O ouro era retirado nas regiões do Alto Senegal e levados por  mercadores árabes ao norte da África, como Ceuta, Tânger e Tunísia, Marrocos pontos terminais das rotas transarianas, frequentadas porjudeus e genoveses entre outros.

Os mercadores muçulmanos já em 642 passam a se interessar pelos recursos humanos da África negra A primeira expedição dirigiu-se a Núbia, onde um rei local aceitou pagar um tributo anual de 360 escravos de ambos os sexos.
Durante muito tempo, as expedições transaarianas teriam um impacto muito limitado. Porém a partir do século XVI que  o tráfico se organiza e passa a alcançar proporções cada vez maiores.
O tráfico negreiro organizou-se de maneira pacífica. Donos da costa sul do Mediterrâneo e da península Arábica, os muçulmanos comandavam as rotas comerciais africanas.
Esse comércio dava muitos lucros, pois a moeda utilizada era pequenas conchas coloridas, chamadas cauris, com as quais os árabes, e depois os europeus, enchiam seus porões no oceano Índico. Eles também gostavam de manufaturas como tecidos, pedaços de cobre , ferro e vidro.

No final da Idade Média, os soberanos africanos passam a comprar armas e cavalos. Artigos considerados de luxo: um cavalo valia de 15 a 20 escravos. Bem equipados eles devastavam os vilarejos capturando mais pessoas e vendendo-as como escravos.
Até os século XVI, o tráfico negreiro estava nas mãos dos muçulmanos, e mercadores árabes ou persas, vendiam escravos negros, famosos pela força e pelo vigor, nas costas do Mediterrâneo, assim como em todo o oceano Índico e até na China (Cantão)
Logo os chineses se interessaram pelo tráfico, lançando várias expedições marítimas nessa direção. Porém, o monopólio muçulmano só viu-se ameaçado quando os portugueses começaram a navegar as costas da África, no final da Idade Média, aumentando ainda mais a desgraça e o sofrimento desse povo. 

Texto extraido do livro História do Brasil no contexto da história ocidental de Luíz Koshiba,ed. Atual e da revista História viva, ano VII, nº 80.

O Engenho no Brasil colônia

                    
Escravo sendo castigado. Debret


A difícil vida dos africanos  que vinham, de forma compulsória, para trabalhar na América portuguesa, já era terrível durante a viagem de travessia do Atlântico. 
A travessia do "Atlântico Negro" durava mais de dois meses. Espremidos nos porões dos navios negreiros ou tumbeiros, milhares de homens, mulheres e crianças suportavam calor, sede, fome, sujeira, ataques de ratos e piolhos, surto de sarampo ou escorbuto. Amontoados nos porões,durante o percurso eles tinham de permanecer sentados, acorrentados uns aos outros e com a cabeça inclinada. Muitos não resistiam, e acabavam jogados ao mar. 
A chegada ao Brasil significava o fim de uma longa jornada de horror. No entanto, era apenas o início de outras tantas atrocidades que o escravo ainda teria de enfrentar.
Chegando a colônia os sobreviventes, eram encaminhados para grandes armazéns, onde seriam negociados.
Eram eles que realizavam quase todo o trabalho: na lavoura, nas casas, na exploração mineira, nos serviços urbanos, no transporte de pessoas e mercadorias. Trabalhavam até o limite máximo de suas forças.
Nos engenhos, por exemplo, a jornada diária  de trabalho durava de 14 a 17 horas, sob a vigilância dos feitores, que tinham ordens de castigar os "preguiçosos".
Os castigos, aplicados em público para servir de exemplo aos demais, eram cruéis: açoite, amputação, palmatória, tronco, máscara e coleira de ferro, correntes com peso. Considerava-se o castigo físico um direito e um dever dos senhores.
Os escravos urbanos tinham maior liberdade de locomoção e muitos trabalhavam sem a restrita vigilância dos senhores. Havia senhores urbanos que cediam em aluguel seus escravos a outras pessoas, como também eram uma fonte de riqueza importante, pois exerciam ofícios recebendo uma remuneração que revertia para seus donos.
Os escravos de ganho conseguiam às vezes guardar parte dos rendimentos que recebiam e assim, após décadas de poupança, foi possível a alguns comprar a sua liberdade. Alguns escravos libertos,  adquiriram escravos para si.
Vendedor de Leite. Pintura de Debret.
Fonte: asminasgerais.com.br
Os escravos reagiram de diversas formas à escravidão: com vinganças contra os feitores, sabotagens, revoltas e fugas. O escravo capturado era marcado com ferro em brasa, no peito ou na testa, com a letra F (fujão); ou, então, amputava-se alguma parte de seu corpo - a orelha ou o pé, por exemplo.
Mas havia também os que conseguiam fugir e formar quilombos. o maior deles foi o Quilombodos Palmares ( na região dos atuais estados de Alagoas e Pernambuco), que conseguiu reunir cerca de 50 mil quilombolas entre 1630 e 1695.   
O tráfico negreiro provocou um dos maiores deslocamentos populacionais da história da humanidade. Os pioneiros nesse lucrativo negocio foram os portugueses, seguidos pelos espanhóis, atraídos pelo comércio de escravos e pelo ouro. Os espanhóis foram ao papa reivindicar o direito de também fazer negócios na costa africana. No entanto, foi confirmada a primazia lusitana.
Os portugueses foram senhores absolutos no tráfico ao longo de todo o século XVI, quando a conquista da América aumentou a demanda por escravos. No interessante livro História Geral do Brasil, Francisco Teixeira da Silva, coloca que a escravidão para os portugueses, era considerada justa por  trazer os infiéis para a Igreja, instituição forte  em Portugal. Inicialmente os portugueses escravizavam os mouros para trabalhos domésticos e nas lavouras; mais tarde vieram os canários  (moradores das ilhas do atlântico norte, Canárias),utilizados nas ilhas dos Açores,Madeira,São Tomé e Cabo Verde, nas lavouras de cana-de-açúcar, por fim, os negros, tomados na costa d'África. A partir do século XVII aparecem também os franceses e ingleses, para fazer concorrência aos ibéricos.
Nesse momento, o tráfico transatlântico já havia se transformado em uma indústria, que iria crescer cada vez mais, até atingir o ápice no século XVII, e seu declínio no século XIX, com a proibição do trânsito de navios negreiros no Atlântico.

A seguir algumas gravuras de Jean-Baptist Debret.
Paris, 1768 a 1848. Pintor e desenhista francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1816), que fundou no Rio de Janeiro. Publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-39). Nessa obra Debret reflete forte influência do iluminismo francês, pois, não preocupa-se em apenas retratar batalhas, mas mostra aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira do início do século XIX, retrata seu cotidiano,seu povo,seus costumes,sua expressão, suas festas. 




Escravo no Pelourinho. Debret
                           Fonte: trilhahistorica.blogspot.com



Escravos transportando um proprietário em rede. Debret
Fonte: Tg3.com.br


Fonte: Portalsaofrancisco.com.br


Escravo castigado com palmatória. Debret
            Fonte: contoseafinslucianesilva.blogspot.com

Debret.
                                                                              Fonte: galeriaphotomaton.blogspot.com


Debret aves.jpg.
                                                                           http://www.pintoresdorio.com/




Escravos para serem vendidos no mercado    
Fonte: lab-eduimagem.pro.br                                                                 

                                             

quarta-feira, 20 de março de 2013

população mineira e brasileira e suas origens


s raças formadoras da população brasileira

Viajando pelo mundo, em contato com tantas gentes, fica fácil notar como a humanidade é composta de muitas populações (raças) que habitam regiões diferentes e se distinguem pela freqüência com que nelas ocorrem certos traços hereditários. Em cada nação as pessoas possuem aspectos físicos característicos e definidores daqueles que nascem ali.
E, embora se observe nos tipos humanos feições físicas similares, não se pode dizer que exista um grupo racialmente puro. Isso porque as populações contemporâneas são o resultado de um prolongado processo de miscigenação, cuja intensidade variou ao longo do tempo.
No Brasil, entre o século XVI ao XVIII, em aproximadamente 15 gerações, consolidou-se a estrutura genética da população brasileira, com o entrecruzamento de africanos, europeus e índios. Ainda, no período colonial, franceses, holandeses e ingleses tentaram se estabelecer em território brasileiro e deixaram alguma contribuição étnica, embora restrita. Assim, de uma mistura de raças, em clima tropical, têm-se os povos do Brasil, uma gente bem diferente daquelas outras do resto do mundo.
As três raças básicas formadoras da população brasileira são o negro, o europeu e o índio, em graus muito variáveis de mestiçagem e pureza. A miscigenação no Brasil deu origem a três tipos fundamentais de mestiço: Caboclo = branco + índio; Mulato = negro + branco; Cafuzo = índio + negro.
Indagam-se, agora, quem eram os povos que formaram a população brasileira?
Eles eram assim.
Brancos
São povos europeus, na maior parte portugueses, que trouxeram um complicado caldeamento de lusitanos, romanos, árabes e negros, que habitaram Portugal. Os demais grupos, vindos em grande número para o Brasil, em diversas épocas italianos, espanhóis, alemães, eslavos, sírios também tiveram mestiçagem semelhante.
A partir de então, a migração tornou-se mais constante. O movimento de portugueses para o Brasil foi relativamente pequeno no século XVI, mas cresceu durante os cem anos seguintes e atingiu cifras expressivas no século XVIII. Embora o Brasil fosse, no período, um domínio de Portugal, esse processo tinha, na realidade, sentido de imigração. Assim, o Brasil é o país de maior população branca do mundo tropical.
Negros
Povos africanos trazidos para o Brasil como escravos, do século XVI até metade do século XIX (1850). Vieram destinados à lavoura canavieira, à mineração e à lavoura cafeeira. Pertenciam a dois grandes grupos: os sudaneses e os bantos. Os primeiros, geralmente altos e de cultura mais elaborada, foram, sobretudo, para a Bahia.
Os bantos, originários de Angola e Moçambique, predominaram na zona da mata nordestina, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Por fim, os africanos espalharam-se por todo o território brasileiro, em engenhos de açúcar, fazendas de criação, arraiais de mineração, sítios extrativos, plantações de algodão, fazendas de café e áreas urbanas. Sua presença projetou-se em toda a formação humana e cultural do Brasil, com técnicas de trabalho, música e danças, práticas religiosas, alimentação e vestimentas.
Índios
Os indígenas brasileiros pertencem aos grupos chamados paleoameríndios, que provavelmente migraram em primeiro lugar para o Novo Mundo. Estavam no estádio cultural neolítico (pedra polida). Agrupam-se em quatro troncos lingüísticos principais: 1 - tupi; 2 - jê ou tapuia; 3 - caraíba ou karib; 4 - aruaque ou nu-aruaque.
Há, além disso, pequenos grupos lingüísticos, dispersos entre esses maiores, como os pano, tucano, bororo e nhambiquara. Atualmente os índios acham-se reduzidos a uma população de algumas dezenas de milhares, instalados, sobretudo, nas reservas indígenas da Amazônia, Centro-Oeste e Nordeste.
Os principais grupos de imigrantes no Brasil são portugueses, italianos, espanhóis, alemães e japoneses, que representam mais de oitenta por cento do total. Até o fim do século XX, os portugueses aparecem como grupo dominante, com mais de trinta por cento, o que é natural, dada sua afinidade com a população brasileira.
São os italianos, em seguida, o grupo que tem maior participação no processo migratório, com quase trinta por cento do total, concentrados, sobretudo, no estado de São Paulo, onde se encontra a maior colônia italiana do país. Seguem-se os espanhóis, com mais de dez por cento, os alemães, com mais de cinco, e os japoneses, com quase cinco por cento do total de imigrantes. Toda essa gente também participa do processo de mistura racial no Brasil.
Assim, nós brasileiros, segundo o mestre Darcy Ribeiro, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado.
Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Do branco, negro e do índio juntaram-se os mestiços na composição étnica da população brasileira, representados pelos caboclos (descendentes de brancos e ameríndios), mulatos (de brancos e negros) e cafuzos (de negros e ameríndios). E essa mistura de raças resultou, como se vê, a composição do povo brasileiro. E este povo está assim distribuído: predomina no litoral o tipo mulato e, no interior, o branco e vários mestiços.
A população é mais índia no Norte, menos branca no Nordeste, mais índia e mais branca no Centro-Oeste e menos negra no Sul. No Sudeste, historicamente a área de maior desenvolvimento, há um pouco de todas as raças. Assim é o país, um mosaico de cor e raça, enchendo os olhos e encantando todos que aqui chegam.
Fonte: www.gostodeler.com.br

A população brasileira foi formada a partir de três grupos fundamentais: o branco europeu, o negro africano e o ameríndio. Antes da chegada dos portugueses, o território era habitado por milhares de povos indígenas (sobretudo dos grupos tupi e jê ou tapuia). A partir da colonização, a maior parte da população indígena foi exterminada, dela restando hoje apenas alguns milhares de indivíduos.
Os negros africanos, pertencentes sobretudo aos grupos bantos e sudaneses, foram trazidos como escravos para trabalhar na agricultura (cana-de-açúcar, café) e na mineração (ouro e diamantes). Além dos portugueses, outros europeus também contribuíram para a formação da população brasileira, através da imigração, principalmente a partir de 1850 (alemães, italianos, espanhóis).
A miscigenação desses três grupos étnicos deu origem aos mestiços: mulatos (descendentes de brancos e negros), caboclos (de brancos e ameríndios) e cafuzos (de negros e ameríndios). Há ainda uma parte formada por descendentes de povos asiáticos, especialmente japoneses. Para a formação do contingente populacional do país, a imigração em si pouco representou (pouco mais de cinco milhões de indivíduos, desde a Independência, dos quais 3,5 milhões permaneceram no país) e praticamente cessou a partir do final da segunda guerra mundial.
Língua. Apesar da enorme extensão territorial, o português firmou-se como a língua falada no Brasil, embora com ligeiras variações do português falado em Portugal. Levando em conta as condições naturais e históricas, e as diferenciações resultantes das características culturais regionais, o português falado no Brasil é basicamente o mesmo em todo o território nacional, não se verificando a ocorrência de dialetos, mas tão-somente de variações regionais, como, por exemplo, o português falado no Rio Grande do Sul ou em algum estado do Nordeste.
Densidade Populacional
Estrutura demográfica. O Brasil é o país mais populoso da América Latina e um dos dez mais populosos do mundo. A população brasileira está distribuída desigualmente: a densidade demográfica da região Sudeste é mais de onze vezes maior que a da região Centro-Oeste; e a da região Sul é quase quinze vezes maior que a da região Norte. Até a década de 1950, a maior parte da população se encontrava no campo, dedicada às atividades agropecuárias. A partir dessa época, com a crescente industrialização, a tendência se inverteu, e, atualmente, mais de setenta por cento concentra-se nas cidades.
O crescimento demográfico também aconteceu de forma desigual. No final do século 18, o Brasil possuía pouco mais de dois milhões de habitantes. Na época da Independência, cerca de 4.500.000, para chegar a sete milhões em 1850. O primeiro censo demográfico realizado no país revelava uma população de 9.930.478 habitantes. No final do século 19, pouco mais de quatorze milhões e, em 1900, exatos 17.438.434 habitantes. No século 20, o ritmo do crescimento aumentou: de acordo com os censos demográficos, 30.635.605, em 1920; 41.236.315, em 1940; 51.944.397, em 1950; 70.070.457, em 1960; 93.139.037, em 1970; 119.002.706, em 1980; 146.825.475 habitantes em 1991. Para 1993, a população estimada era de 151.571.727 habitantes. A dinâmica demográfica do país, que vinha se caracterizando por uma alta taxa de crescimento, na década de 1990 já apresentava uma tendência declinante.

terça-feira, 19 de março de 2013

Indigenas de Minas e do Brasil


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 Eram mais de cem os grupos indígenas que viviam em Minas Gerais. Ao longo dos anos, eles foram sendo dizimados pelo homem branco, que os escravizava, matava, ocupava suas terras e lhes transmitia suas doenças.


India Pataxó

A maior concentração é dos Xacriabá, com pouco mais de 6.000 índios, que vivem em São João das Missões, numa reserva de 46 mil hectares (ha). Um pequeno grupo dos Pankararu vive em Coronel Murta, Vale do Jequitinhonha, numa reserva de 62 ha. Pouco mais de 200 índios Pataxó vivem em 3.200 ha, em Carmésia, no Vale do Aço e um grupo aproximado de 150 Krenak disputam com posseiros a posse de 4.000 ha de sua reserva, que tem 3.871 ha invadidos. Os Maxacali, estimados em 811 índios, também disputam a posse e a preservação de suas terras no Vale do Mucuri.


Indios Carijós


 
Os Carijós, ou índios escravos, como eram chamados pelos colonizadores, foram pouco a pouco perdendo seu espaço. Com o tempo desapareceram os Puris do Sul de Minas, os Caiapós e os Bororós do oeste e muitos outros.População quase em extinção, os índios do Estado estão reduzidos a cinco grupos: Xacriabá, Krenak, Maxacali, Pataxó e Pankararu. Esses grupos, que ainda sobrevivem em algumas reservas, continuam a praticar seus cultos e atividades primitivas, ainda preservam usos e costumes, mas são pobres e doentes, habitam choças, sofrem muita pressão de fazendeiros e recebem pouca assistência dos governos e da sociedade.

Mapa da População Indígena de Minas Gerais