terça-feira, 19 de março de 2013

Feudalismo

O feudalismo foi o sistema sócio-econômico dominante na Idade Média. É derivado de feudo: área de direito do senhor sobre as pessoas, coisas e terras.

Periodização:

  1. Séc. III - VIII - formação do Feudalismo, tem início com as primeiras invasões bárbaras;
  2. Séc. VIII - XI - apogeu do Feudalismo;
  3. Séc. XI - XV - decadência.
O feudalismo ocorreu entre o século V e XV, após a queda do Império Romano e que se divide em pequenos reinos, porém esses reinos não foram capazes de solucionar os problemas de segurança das pessoas, e no século V a população começa a fazer um êxodo urbano, pois a população estava indefesa contra os ataques  dos Germanos procurando assim se esconder dos ‘‘bárbaros’’. 
A sociedade feudal era formada pela aristocracia proprietária de terras (composta pelo alto clero e pela nobreza) e pela massa de camponeses (servos e vilões não proprietários). 
O clero ocupa papel relevante na sociedade feudal. Os sacerdotes destacavam-se como servidores de Deus, detentores da cultura e administradores das grandes propriedades da Igreja, além de sua marcante ação assistencial aos desvalidos. A Igreja procurava legitimar o modo de agir da aristocracia, afirmando que Deus tinha distribuído tarefas específicas a cada homem e que, portanto, uns deviam rezar pela salvação de todos (o clero), outros deviam lutar para proteger o povo de Deus (a nobreza) e os outros deviam alimentar com seu trabalho, aqueles que oravam e guerreavam (os camponeses). 
O sistema feudal tem origem em instituições tanto do mundo romano quanto do germânico. A principal unidade econômica de produção era o feudo, que se dividia em três partes distintas: a propriedade privada do senhor, chamada manso senhoril, no interior da qual se erigia um castelo fortificado, o manso servil, que correspondia à porção de terra arrendada aos camponeses em lotes denominados tenências, e ainda o manso comunal,constituído por terras coletivas, pastos e bosques, usados tanto pelo senhor quanto pelos trabalhadores camponeses presos à terra – os servos. Diante da crise econômica e das invasões germânicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram morar nas suas propriedades no campo. Esses centros rurais, conhecidos por vilas romanas, deram origem aos feudos medievais. Muitos romanos menos ricos passaram a buscar proteção e trabalho nas terras desses grandes senhores. Para poderem utilizar as terras, no entanto, eles eram obrigados a entregar ao proprietário parte do que produziam, estava instituído assim, o colonato. Aos poucos, o sistema escravista de produção no Império Romano ia sendo substituído pelo sistema servil de  produção, que iria predominar na Europa feudal. Nascia, então, o regime de servidão, onde o trabalhador rural é o servo do grande proprietário.
No sistema feudal, o rei concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros, que, em troca lutavam a seu favor. Quem concedia a terra era um suserano, e quem a recebia era um vassalo. As relações entre o suserano e o vassalo eram de obrigações mútuas, estabelecidas através de um juramento de fidelidade. Quando um vassalo era investido na posse do feudo pelo suserano, jurava prestar-lhe auxílio militar. O suserano, por sua vez, se obrigava a dar proteção jurídica e militar ao vassalo. O feudo (terra) era o domínio de um senhor feudal. Não se sabe  o tamanho médio desses feudos.

Características Econômicas e Sociais:

Durante a alta idade média, que transcorreu entre o século V ao século XI, devido, principalmente a instabilidade política, fruto das invasões bárbaras, a economia feudal caracterizou-se pela auto-suficiência. Isto significa dizer que o feudo buscava produziu tudo que era necessário para a manutenção da comunidade. A quase inexistência de comércio impedia que houvesse um abastecimento externo ao feudo.
Assim, as principais atividades econômicas estavam associadas à manutenção das pessoas. Merece destaque a produção agrícola e a criação de animais.
Já na baixa idade média notou-se uma ruptura com as características de subsistência que apresentava o feudalismo. Com o fim das invasões e o surgimento de novas técnicas agrícolas foi possível a comercialização do excedente de produção.
O aumento do comércio promoveu o desenvolvimento das cidades medievais. Grande parte dessas antigas cidades tinha um núcleo fortificado com muralhas, chamado burgo.
Com o crescimento da população, o burgo foi alargando seus limites para além das muralhas. Os comerciantes e artesãos que viviam em torno dos burgos eram chamados de burgueses.
Aos poucos, o progresso do comércio e das cidades foi tornando a burguesia mais rica e poderosa, passando a disputar interesses com a nobreza feudal. Além disso, a expansão do comércio também influenciou na mentalidade da população camponesa, contribuindo para desorganizar o feudalismo. 
Cansados da exploração feudal, muitos servos ouviam entusiasmados as notícias da agitação comercial das cidades. Grande número deles migrava para as cidades em busca de melhores condições de vida. As cidades tornaram-se locais seguros para aqueles que desejavam romper com a rigidez da sociedade feudal. Por isso, um antigo provérbio alemão dizia: O ar da cidade torna o homem livre.
Os servos que não migraram para as cidades organizaram no campo diversas revoltas contra a opressão dos senhores. Em muitos casos, conseguiram aliviar o peso de algumas obrigações, como a talha e a corvéia. Isso foi forçando a modificação das antigas relações servis. Surgiram, por exemplo, contratos de arrendamento da terra entre camponeses e proprietários. Surgiram, também, contratos de salário para pagamento do trabalho dos camponeses.
Lentamente foi surgimento rotas de comércio por toda a Europa, merecendo destaque as rotas do sul que eram organizadas pelas cidades italianas de Gênova e Veneza e as rotas do norte que se desenvolviam na região de Flandres.
Com o rápido crescimento do comércio e do artesanato nos burgos, a concorrência entre mercadores e artesãos aumentou bastante. Para regulamentar e proteger as diversas atividades surgiram as corporações. Cada uma dessas corporações reunia os membros de uma atividade, regulando-lhes a quantidade e a qualidade dos produtos, o regime de trabalho e o preço final. Procuravam assim eliminar a concorrência desleal, assegurar trabalho para todas as oficinas de uma mesma cidade e impedir que produtos similares de outras regiões entrassem no mercado local. Em cada oficina havia apenas três categorias de artesãos: mestres, oficiais ou companheiros e aprendizes.

Sociedade

Sociedade Feudal A sociedade medieval era dividida em estamentos. Os três principais grupos eram nobreza, clero e servos.

Haviam outros grupos sociais, como os poucos comerciantes existentes na alta idade média. Foi somente na baixa idade média que surgiu a burguesia que rompeu com a característica da sociedade apresentada acima.
A sociedade medieval apresentava ausência de ascensão social e quase inexistia mobilidade social. Como o clero e a nobreza comandavam a sociedade, era comum o clero criar justificativas religiosas para que os servos não contestassem a sociedade. Era uma sociedade estamental.
Na sociedade feudal cada grupo social detinha uma função. O clero cumpria a função da salvação da alma de todos, a nobreza deveria proteger a todos e os servos deveriam trabalhar para sustentar a todos. Assim se justificava a exploração do servo e a necessidade dele seguir os desígnios da Igreja.
O camponês é servil, a relação de trabalho é servil. Era comum o servo, para obter as terras dentro do feudo do senhor feudal ou nobre, jurar fidelidade a esse senhor. Essa cerimônia era baseada na relação de suserania e vassalagem realizada entre suserano e vassalo. Ao jurar fidelidade um ao outro, o senhor se comprometia a proteger o servo. Porém, o servo deveria dar em troca um conjunto de obrigações que passaria para a História como obrigações servis. A terra é o maior símbolo de riqueza e poder;
Relações sociais - verticais ou horizontais:
  • relações sociais de servidão entre o Senhor das terras e o Camponês (servo) - não possuidor de terras - o servo deve obrigações ao senhor feudal. É uma relação vertical;
  • relações jurídico-políticas de Vassalagem: é a relação entre dois nobres. É uma relação horizontal. Os dois senhores feudais juram fidelidade e trocam benefícios e homenagens recíprocas;
Pirâmide social "de baixo p/ cima": Laboratores (servos), Belatores Nobreza), Oratores (Clero)
Suserano: nobre que doa a terra;
Vassalo: nobre que recebe a terra para nela trabalhar;
Investidura: é um ato solene que através do qual o nobre feudal torna-se suserano ou vassalo.

Obrigações do servo a seu senhor

Cada feudo compreendia uma ou mais aldeias, as terras cultivadas pelos camponeses, a floresta e as pastagens comuns, a terra pertencente à igreja paroquial e a casa senhorial, que ficava melhor cultivável. A base do sistema feudal eram as relações servis de produção. Os servos viviam em extrema miséria, pois, além de estarem presos à terra por força de lei, estavam presos aos senhores, a quem deviam obrigações como:
  • a talha
  • a corvéia
  • a banalidades
A talha era a obrigação de o servo dar, a seu senhor, uma parte do que produzia. Essa parte, em geral, correspondia à metade.
A corvéia era a obrigação que o servo tinha de trabalhar de graça alguns dias por semana no manso senhorial, ou seja, no cultivo das terras reservadas ao senhor.
As banalidades eram os pagamentos que os servos faziam aos senhores pelo uso da destilaria, do forno, do moinho, do celeiro etc.
Além, disso, uma parte da sua produção era destinada à Igreja. Tudo isso levava a um baixíssimo índice de produtividade, pois, além de as técnicas serem rudimentares, os servos não tinham a menor motivação para desenvolvê-las porque sabiam que, quanto mais produzissem, mais os senhores lhes sugariam.
Mapa das terras no Feudalismo
Típico feudo
O fator que mais contribuiu para o declínio do sistema feudal foi o ressurgimento das cidades e do comércio. Com o ressurgimento das cidades, os camponeses passaram a vender mais produtos e, em troca, conseguir mais dinheiro. Com o dinheiro alguns puderam comprar a liberdade. Outros simplesmente fugiram para as cidades  em busca de melhores condições de vida.

Características Políticas

  • Poder Político descentralizado nas mãos do Rei e centralizado nas mãos do senhor Feudal;
  • Trabalho Servil: os servos trabalhavam em troca de proteção;
  • Estado monárquico feudal (base- relação de subsistência e vassalagem entre a nobreza e o Rei);
  • Caráter Ideológico;
  • Igreja Católica (formadora de idéias).

Modo de Produção:

Campos abertos: terras de uso comum. Nelas os servos podiam recolher madeira e soltar os animais. Nesses campos, que compreendiam bosques e pastos, havia uma posse coletiva da terra.
Reserva senhorial: terras que pertenciam exclusivamente ao senhor feudal. Tudo o que fosse produzido na reserva senhorial era de sua propriedade privada.
Manso servil ou tenência: terras utilizadas pelos servos, das quais eles retiravam seu próprio sustento e recursos para cumprir as obrigações feudais.

Relação de Trabalho:

Era para legitimar as obrigações servis.
  1. Corvéia: trabalhos gratuitos e obrigatórios realizados pelos servos durante alguns dias na semana nas terras do manso senhoril;
  2. Talha: taxa paga pelo servo ao senhor feudal que consistia em metade da produção obtida no manso servil;
  3. Banalidade: taxa paga pelo servo pelo uso de determinadas localidades do feudo;
  4. Capitação: taxa que o servo pagava ao senhor feudal por cada membro de sua família dentro do feudo;
  5. Dízimo: taxa paga à Igreja Católica pelo fato do servo respeitar a Igreja e ainda “comprar um terreno no céu”;
  6. Taxa de casamento: era paga pelo servo ao senhor feudal, quando aquele fosse se casar com uma mulher pertencente a outro feudo;
  7. Taxa de nascimento: taxa paga pelo servo, quando o seu filho nasce;
  8. Taxa de justiça: é a taxa que o servo pagava ao senhor feudal para que se fizesse justiça dentro do feudo;
  9. Taxa da mão-morta: taxa que o servo pagava ao senhor feudal para ocupar heranças.
Haviam outras taxas que variavam de região para região. Assim, o servo vivia uma grande exploração que permitia o sustento do restante da população.

Poder Ideológico da Igreja

A Igreja tinha grande poder ideológico e coercitivo sobre as pessoas da época. Até hoje a Igreja possui grande influência cultural.

A decadência do feudalismo

O crescimento da população, verificado entre os séculos XI e XIV, foi extraordinário. Os nobres aumentaram em número e tornaram-se mais exigentes com relação aos seus hábitos de consumo: isso determinava a necessidade de aumentar suas rendas e para consegui-lo, aumentou-se grandemente o grau de exploração da massa camponesa. Esta superexploração produziu protestos dos servos, consubstanciados em numerosas revoltas e fugas para as cidades. A repressão a esses movimentos foi enorme, mas a nobreza e o alto clero tiveram razões para temer por sua sobrevivência.
Paralelamente, importantes alterações do quadro natural provocaram sérias conseqüências. Durante o século XIII ocorrera uma expansão das áreas agrícolas, devido ao aproveitamento das áreas de pastagens e à derrubada de florestas. O desmatamento provocou alterações climáticas e chuvas torrenciais e contínuas, enquanto o aproveitamento da área de pastagens levou a uma diminuição do adubo animal, o que se refletirá na baixa produtividade agrícola. Com as péssimas colheitas que se verificaram, ocorreu uma alta de preços dos produtos agrícolas. Os europeus passaram a conviver com a fome.
Dificuldades econômicas de toda ordem assolavam a Europa, que passou a conviver com um outro problema: o esgotamento das fontes de minérios preciosos, necessários para a cunhagem de moedas, levando os reis a constantes desvalorizações da moeda. Isso só fazia agravar a crise.
No plano social, ao lado dos problemas já levantados, importa verificar o crescimento de um novo grupo: a burguesia comercial, residente em cidades que tendiam para uma expansão cada vez maior, pois passaram a atrair os camponeses e os elementos “marginais” da sociedade feudal.
Politicamente, a crise se traduz pelo fortalecimento da autoridade real, considerado necessário pela nobreza, temerosa do alcance das revoltas camponesas. A unificação política, ou surgimento dos Estados Nacionais, aparece, desta forma, como uma solução política para a nobreza manter sua dominação.
Finalmente, a crise se manifesta também no plano espiritual—religioso. Tantas desgraças afetaram profundamente as mentes dos homens europeus, traduzindo-se em novas necessidades espirituais (uma nova concepção do homem e do mundo) e religiosas (a igreja Católica não conseguia atingir tão facilmente os fiéis, necessitados de uma teologia mais dinâmica).
Esta crise é o ponto de partida para se compreender o processo de transição do Feudalismo ao Capitalismo. Para melhor compreenda-la, selecionamos alguns documentos que permitirão um entendimento das questões provocadas pela Peste Negra, no que se refere à demografia e às modificações na mentalidade da sociedade européia
A palavra feudo significa propriedade. O sistema feudal era um sistema social fechado, fundamentado na propriedade da terra.
Os senhores dos coutos (propriedades da Igreja) e das honras (propriedades da Nobreza) exerciam autoridade absoluta e só prestavam obediência ao rei.
Por: Natalie Rosa Pires

Veja também:

Indigenas de Minas e do Brasil


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg1XC8VrlGaJv-hAVVG8_SSluQghMNaNxVhjbFWjVVsEoAwj43pAbXcH7nzav219j86BFazCrOeayegdE7nEWtKB_6QD0ndCUFu_YwYznfo2RwJ_Dl-OAvaOy37MJBFi09vAE2nzgGkzR4/



 Eram mais de cem os grupos indígenas que viviam em Minas Gerais. Ao longo dos anos, eles foram sendo dizimados pelo homem branco, que os escravizava, matava, ocupava suas terras e lhes transmitia suas doenças.


India Pataxó

A maior concentração é dos Xacriabá, com pouco mais de 6.000 índios, que vivem em São João das Missões, numa reserva de 46 mil hectares (ha). Um pequeno grupo dos Pankararu vive em Coronel Murta, Vale do Jequitinhonha, numa reserva de 62 ha. Pouco mais de 200 índios Pataxó vivem em 3.200 ha, em Carmésia, no Vale do Aço e um grupo aproximado de 150 Krenak disputam com posseiros a posse de 4.000 ha de sua reserva, que tem 3.871 ha invadidos. Os Maxacali, estimados em 811 índios, também disputam a posse e a preservação de suas terras no Vale do Mucuri.


Indios Carijós


 
Os Carijós, ou índios escravos, como eram chamados pelos colonizadores, foram pouco a pouco perdendo seu espaço. Com o tempo desapareceram os Puris do Sul de Minas, os Caiapós e os Bororós do oeste e muitos outros.População quase em extinção, os índios do Estado estão reduzidos a cinco grupos: Xacriabá, Krenak, Maxacali, Pataxó e Pankararu. Esses grupos, que ainda sobrevivem em algumas reservas, continuam a praticar seus cultos e atividades primitivas, ainda preservam usos e costumes, mas são pobres e doentes, habitam choças, sofrem muita pressão de fazendeiros e recebem pouca assistência dos governos e da sociedade.

Mapa da População Indígena de Minas Gerais

 

Maia, Asteca e Incas

Na América, a organização de sociedades mais complexas, como a dos Astecas, Maias e Incas, não ocorreu ao mesmo tempo que no Oriente próximo ou na Europa. Aliás, os processo históricos não são nunca os mesmos em todas as sociedades. O próprio continente americano mostra evidências dessa afirmação. Na América, durante séculos, conviveram (e ainda convivem) inúmeros povos com realidades históricas bem distintas: povos nômades de cultura primitiva, como muitas tribos norte-americanas, os esquimós (Alasca), os ianomâmis e os xavantes (Brasil), que viviam (alguns ainda vivem) basicamente da caça e da coleta, os tupis-guaranis (América do Sul), os pueblos (América do Norte) e os aruaques (América Central), sedentários e agrícolas; e, finalmente, os povos de culturas mais complexas – maias, incas e astecas.


Os astecas

Origens
A influência dos olmecas entre os astecas também foi muito grande, sobretudo porque eles viveram, em tempos diferentes, basicamente na mesma região. Após a hegemonia olmeca, a região sofreu várias invasões de povos vindos da América do Norte.
Os primeiros povoadores procedentes do norte, da região de Nahua (família lingüística do nahuatl), construíram, entre 500 e 600 d.c, baseados nas tradições olmecas, uma grande cidade, Teotihuacán, com gigantescas pirâmides homenageando o Sol, a Lua e seu deus maior, Quetzacoatl. Nesse centro urbano desenvolveu-se uma sociedade  sobre a qual , infelizmente, temos poucas informações.
Os toltecas, uma das tribos nahuas do norte, chegaram à América Central entre 850 e 900 d.c., e talvez tenham se submetido aos sacerdotes de Teotihuacán, pois deram continuidade à construção e manutenção dessa grande cidade. Em razão do gigantismo de suas construções, muitos povos consideravam que ela havia sido construída por gigantes, antes da chegada dos homens à região. Eles organizaram um forte Estado e  uma rica civilização, que, após disputas internas, guerras externas e invasões, chegou ao fim em 1194 d.c.
Escultura de um calendário asteca
Calendário Asteca
O povo mexica, mais conhecido como asteca, é originário da região de Aztlán (daí a palavra asteca), no sul da América do Norte. Ele se estabeleceu no planalto mexicano (especificamente nas ilhas do lago Texcoco), junto com outros povos, após uma longa marcha, em 1168 d.c. No ano de 1325 eles começaram a construção de sua cidade, Tenochtitlán, que no século XV  seria uma das maiores cidades do mundo.

Organização Política - A formação do Império Asteca    
A formação do Império asteca baseou-se na aliança de três grandes cidades, texcoco, Tlacopán e a capital, Tenochtitlán, estendendo seu poder por toda a região. As relações políticas que se estabeleceram entre elas e as regiões que controlavam anda não são muito claras. Contudo, pode-se afirmar que não era  uma estrutura rigorosamente centralizada, como ocorreria entre os incas.
Na confederação Asteca conviviam inúmeras  comunidades com  idiomas, costumes e culturas diferentes (zapotecas, mixtecas, totonacas, etc.) A unidade entre elas dava-se em torno de aspectos religiosos e, principalmente, através da centralização militar dos astecas e da arrecadação dos impostos em Tenochtitlán. As diversas províncias da região que, além dos tributos, elas deveriam fornecer contingentes militares e submeter-se aos tribunais da capital.
O Império asteca atingiu seu apogeu entre 1440 e 1520, quando foi inteiramente destruído pelos colonizadores espanhóis liderados por Cortés. Após diversas incursões colonizadoras em agosto de 1521 o Império Asteca foi inteiramente conquistado. Diversas razões levaram à derrota asteca a primeira é propriamente militar: a guerra, para os astecas, tinha como objetivo a dominação político-militar, para os espanhóis  a guerra era de conquista e extermínio. Além disso as estratégias militares e, principalmente, o armamento bélico dos colonizadores eram bem mais avançados. Outro motivo importante foi a proliferação de várias doenças e epidemias entre os astecas (a mais forte  foi a varíola). Um fato adicional que contribuiu muito para a derrota asteca foi a aliança estabelecida  entre alguns povos da região (tlaxcaltecas, totonecas, etc.) e os espanhóis. A intenção imediata desses povos era derrotar a hegemonia dos astecas na região, e os espanhóis eram fortes aliados para alcançar esse objetivo. Todavia, eles não puderam prever o que lhes aconteceria após a derrota asteca, com a consolidação da colonização européia.

Economia asteca
A sustentação da economia do Império estava baseada  justamente no pagamento dos tributos  em mercadorias. A não-destruição das cidades submetidas e a manutenção relativa do poder local incluíam-se nessa lógica de arrecadação dos tributos, que variavam muito. Estima-se que,  no final do Império, Tenochtitlán recebia toneladas de milho, feijão, cacau, pimenta seca; centenas de litros de mel, milhares de fardos de algodão, manufaturados têxteis, cerâmicas, armas, além de animais, aves, perfumes, papel, etc.
A produção agrícola estava baseada essencialmente nos cereais, sobretudo no milho que, na verdade, foi a base da alimentação das civilizações pré-colombianas. É bem provável que essas sociedades  não teriam se desenvolvido sem o milho, pois ele as sustentava e possibilitava o crescimento  de suas populações.
A posse das terras tinha uma característica muito interessante: o Estado asteca era proprietário de todas as terras e as distribuía aos templos, cidades e bairros (calpulli). Já nas cidades e bairros, a exploração da terra tinha um caráter coletivo, todo adulto tinha direito de cultivar um pedaço de terra para sobreviver e o dever de trabalha-la. Na fase final do Império, essa relação foi se modificando, pois sacerdotes, comerciantes e chefes militares se desobrigaram de trabalhar na terra, criando uma forma de diferenciação social.

Sociedade asteca

Pode ser uma sociedade fundada em aspectos religiosos e na guerra, aqueles que detinham mais poder eram os sacerdotes, seguidos dos chefes militares e dos altos funcionários do Império. Os altos funcionários militares e do Estado recebiam a denominação tecuhtli (dignitário), eram escolhidos pelo soberano e tinham uma série de privilégios (não pagavam impostos e viviam em grandes residências).
Logo abaixo estavam os calpullec, espécies de administradores dos bairros (calpulli). Inicialmente eles eram escolhidos pelos habitantes dos bairros, mas com o tempo passaram a ser indicados pelos soberano.
O comércio externo era realizado por poderosas corporações de comerciantes, os pochtecas. O comércio de luxo entre as cidades era monopolizado por eles. Em razão do rápido enriquecimento desse setor da sociedade, ele foi ganhando gradativamente poder e distinção.
A maioria dos artesãos trabalhava vinculada a algum senhor (tecuhtli), e muitos mantinham oficinas em palácios e templos. O imposto era pago em artigos de sua especialidade e não eram obrigados ao trabalho coletivo.
A maior parte da população estava entre os macehualli, que eram homens livres com direito a cultivar um pedaço de terra para sua sobrevivência,embora devessem obrigações como pagamento de impostos em mercadorias (a maior fonte de arrecadação), prestar o serviço militar e o trabalho coletivo (construir, conservar e limpar estradas, pontes e templos).
Os tlatlacotin formavam os estrato social mais baixo, composto geralmente por prisioneiros de guerra, condenados, desterrados. Em troca de casa, comida e trabalho, eles se vinculavam a um amo. Isso não significava que eram escravos, pois podiam torna-se livres e possuir bens.

Religião e cultura dos Astecas

Os astecas eram considerados o povo mais religioso da região. Sua religião era essencialmente  astral, isto é, baseada nos astros, e foram absorvendo deuses e ritos das mais importante era Uitzlopochtli, que representava o sol do meio-dia.
Os mitos e ritos astecas eram muito ricos e variados, e relacionavam-se com a natureza. Os cultos mais importantes sempre envolviam o Sol. Eram muito comuns rituais com sacrifícios humanos; a guerra, portanto, era uma grande fornecedora de prisioneiros para os sacrifícios.     Geralmente toda a energia da comunidade estava canalizada para as atividades ritualísticas, realizadas com uma série encenações e procedimentos minunciosos.
As atividades artísticas dos astecas foram muito influenciadas pelas tradições olmecas e toltecas. A escultura em jade e as grandes construções são exemplos claros dessas influências. A arquitetura estava ligada à vida religiosa, a forma mais freqüentemente utilizada era a pirâmide com escadarias, culminando em um santuário no topo.
Pirâmide - Maias
Pirâmide construída no Império Maia
Os afrescos coloridos e as pinturas murais também tinham destaque entre as artes astecas. O escriba  ostentava o título de pintor, pois os hieróglifos eram acompanhados por uma série de quadros cuidadosamente desenhados.
A música e a poesia estavam intimamente ligadas. Quase sempre acompanhadas  ´pr instrumentos, danças e encenações, as músicas tinham caráter religioso.
Infelizmente, a violência da colonização espanhola acabou destruindo grande parte dessa rica produção.


Os maias 

Origens
Antes que os maias se radicassem em alguma regiões da América Central, existiam aí povos originários, como os otomies e otoncas. Vindos da  América do Norte , após décadas vagando  pela América Central, os mais estabeleceram-se no Yucatán e áreas próximas, por volta de 900  a . C. A produção do milho e a influência dos olmecas forram mito importante para o seu desenvolvimento
A área ocupada pelos maias pode ser dividida em duas regiões. A das terras altas (área abrangida hoje por El Salvador e Guatemala)  estava voltada para o Pacífico e, apesar de possuir boas condições naturais, não teve muita importância para a construção da civilização maia.
É comum  dividir-se o processo de construção da civilização maia  em uma primeira fase (317-987) e uma segunda fase (987-1697). A primeira  fase teria se iniciado em 317 d.C. Essa data , na realidade, tem como referência o mais antigo objeto maia encontrado até hoje. Sabe-se que essa civilização já existia antes de 317, mas não se dispõe ainda de informações precisas a respeito desse período.

Sociedade maia

A sociedade começou a desenvolver-se , com destaque para três cidades: Chichen-Itzá, Mayapan e Uxmal. Em 1004 foi criado a Confederação Maia, que reuniu essas três grandes cidades. Dezenas de cidades e povoados são criados ao longo dos duzentos anos seguintes, expandindo seu poder político na região. Após o período de união (entre os séculos X e XI), as cidades da Confederação entram em confronto, sendo Mayapan a vitoriosa. A hegemonia política dessa cidade  foi sustentada por uma forte base guerreira. Inúmeras revoltas explodem na região, e em 1441 Mayapan é incendiada; As grandes cidades são abandonadas por causa das guerras.
As lutas internas, as catástrofes naturais (terremotos, epidemias, etc.), as guerras externas e principalmente, o declínio da agricultura levaram a sociedade maia à decadência. Auando os europeus chegaram à região (1559), os sinais de enfraquecimento dos maias eram evidentes, tornando a conquista mais fácil. Em 1697, a última cidade maia (Tayasal) é conquistada e destruída pelos colonizadores.
Cada cidade tinha um chefe supremo (halach uinc), e o cargo era hereditário.
Os camponeses e artesãos compunham a maioria da população (mazehualob) eram obrigados a pagar os tributos, a trabalhar nas grandes obras e moravam nos bairros mais distantes dos centros. Os escravos, geralmente por conquinsta serviam a um senhor, mas não trabalhavam na produção

Religião dos Maias

A sociedade maia tinha um caráter fortemente religioso; a religião dava legitimidade ao poder, que era exercido basicamente por algumas famílias.
O Ahaucan (senhor da serpente) é o supremo sacerdote. Ele indica os outros sacerdotes, rege as cerimônias, recebe tributos e decide sobre as coisas do estado. Existiam também sacerdotes com funções específicas, como os adivinhos, os encarregados dos sacrifícios humanos, os escribas, etc.

A organização do Estado 
Os maias não chegaram a organizar um forte e poderoso Estado centralizado.
Na realidade, as cidades maias importantes controlavam as aldeias e terras próximas. Não havia nenhum poder ou instituição que as unificasse. Elas tinham autonomia econômica e política, e geralmente eram governadas por famílias.
Houve períodos  em que a unidade foi estabelecida entre algumas cidades, como durante a Confederação Maia. N entanto, a regra era a independência e a luta entre  cidades por novas terras, tributos, matérias primas, etc.  

Economia maia
A economia dos maias baseava-se na agricultura. A tecnologia empregada nas atividades agrícolas era bastante primitiva. Contudo, eles conseguiam uma extraordinária produtividade, principalmente do milho. É justamente em virtude dessa produção do milho, gerando excedentes, que um grande contingente de mão-de-obra podia ser liberado das atividades agrícolas para a construção de templos, pirâmides, reservatórios de água, etc.
As terras pouco férteis da região obrigavam os maias a realizar um rodízio, que geralmente mantinha a terra boa durante oito a dez anos. Após esse período era necessário procurar novas terras, cada vez mais distantes das aldeias e cidades. O esgotamento das terras, as distâncias cada vez maiores entre elas e as cidades e o aumento da população imseram à civilização maia uma dura realidade. A fome, um dos fatores que a levaram à decadência.

Cultura maia
Os conhecimentos de astronomia dos mais eram realmente avançados, e seus observatórios, bem-equipados. Eles podiam prever eclipses e elaboraram um calendário de 365 dias. Para o desenvolvimento da astronomia, a matemática era um elemento fundamental, daí terem acumulado conhecimento nessa área.
A atividade médica e a farmacêutica também eram bastante desenvolvidas, o que foi reconhecido até pelos colonizadores.
As peças teatrais, os poemas, as crônicas, as canções, tinham uma função literário-religiosa bem evidente.
Mas a arquitetura e a engenharia representam as áreas do conhecimento mais desenvolvidas pelos maias. Seus grandes centros religiosos, as pirâmides, as cidades com edifícios de vários andares, os canais de irrigação e os reservatórios de água maravilham os conquistadores europeus.


Os incas 

Origens 
O povo incaico é originário de uma região entre o lago Titicaca e a cidade de Cuzco, no Peru. A partir daí os incas expandiram-se por uma área que abrangia desde o sul da Colômbia, passando pelo Equador, Peru, Bolívia e norte da Argentina, até o sul do Chilel Esse Império chegou a reunir cerca de 15 milhões de pessoas, de povos com línguas, costumes e culturas diferentes.
Antes da construção do Império incaico viviam nessa região povos com culturas e formações sociais avançadas, que se costuma denominar pré-incaicos. Eles estavam distribuídos por toda a costa leste do continente sul-americano, nas serras e no altiplano andino; os chavin viviam nas serras peruanas; os manabi, no litoral do equador; os chimu, no norte do Peru; e havia ainda os chinchas, mochicas, nazca, e outros.
Talvez grande demonstração do desenvolvimento desses povos pré-incaicos seja Tiahuanaco. Tratava –se de um grande centro cerimonial (hoje suas ruínas estão a cerca de 100 Km de La Paz, capital da Bolívia) que recebia periodicamente milhares de pessoas por Ano. Estima-se que essa civilização que parece ter sido influenciada pelos chavin, estabeleceu-se na região por volta do século X d. C.

A organização política dos Incas

O Império Inca absorveu as diversas culturas das civilizações preexistentes, colocando-as  a serviço da expansão e manutenção do Império. A vitória sobre os chancas, em 1438 d. C., liderada pelo inca Yupanqui, marcou o início da formação do Império. Ele ocupou quase todo o Peru, chegando até a fronteira do Equador. Seus sucessores expandiram o Império para o altiplano boliviano, norte da Argentina, Chile (Tope Inca) e equador,até o sul da Colômbia (Huayana capac, 1493-1528).
A expansão foi interrompida em razão da disputa entre dois irmãos, filhos de Huayana: Huascar, que centralizou seu Império em Cuzco, e Atahualpa, sediado em Quito. A rivalidade entre os irmãos levou oi Império a uma verdadeira guerra civil, enfraquecendo-º A vitória de Atahualpa não lhe trouxe vantagens, pois, junto dela, chegaram os colonizadores, liderados por Pizarro, que destruíram todo o Império Inca.
Para controlar seur Império o Estado inca mantinha um constante censo populacional, um instrumento fundamental para o censo era o quipo,uma espécie de elaborada colculadora manual feita de cordões coloridos e nós. Quem realizava o levantamento e a leitura eram os funcionários chamados de quipucamayucus.
Esse imenso Império inca, controlado de perto pelo Estado, precisou de uma infra-estrutura que permitisse a circulação de funcionários, mensageiros, impostos, populações, exércitos, etc. Para que isso ocorresse, foi construída uma incrível rede de pontes e caminhos lajeados. Ao longo desses caminhos havia os tambos, pequenas construções que continham alimentos e água, servindo de alojamento para os viajantes.

Sociedade inca
O Estado inca era imperial, capaz de controlar rigidamente tudo o que ocorria em sua vasta extensão territorial. O chefe desse Estado era o Inca, um imperador com poderes sagrados hereditários, reverenciado por todos.
Ao lado do inca havia uma rede de sacerdotes, escolhidos por ele entre a nobreza.
Para manter o Império íntegro, criou-se uma complexa burocracia administrativa e militar. Os cargos administrativos eram distribuídos entre membros da nobreza e acabaram adquirindo hereditariedade. O caráter guerreiro do Império privilegiava a formação e educação militar. Como os burocratas, essa camada privilegiada era mantida graças aos tributos arrecadados pelo Estado.
Os camponeses, chamados de llactaruna, em troca do direito  de trabalho nos ayllus, eram obrigados a cultivar as terras do Inca e dos curacas e a pagar os impostos em mercadorias. Além disso, o estado os obrigava a trabalhar nas obras públicas, como as pirâmides, caminhos, pontes, canais de irrigação e terraços.
Havia também os artesãos especializados, considerados artistas (pintores, escultores, ceramistas, tapeceiros, ourives, etc.), e os curandeiros e feiticeiros (cirurgiões, farmacêuticos, conhecedores de plantas medicinais, etc.).
Os yanaconas, originários da sublevação da cidade de Yanacu, eram escravos. Às vezes algum povo conquistado também se tornava escravo.  Eles não trabalhavam na produção, e suas funções eram eminentemente domésticas.

Economia inca
A base da economia inca estava nos ayllu, espécie de comunidade agrária. Todas as terras do Império pertenciam ao Inca, logo, ao Estado. Através da vasta rede de funcionários, essas terras eram doadas aos camponeses para a sua sobrevivência. Os membros de cada ayllu deveriam, em troca, trabalhar nas terras do Estado e dos funcionários, nas obras públicas e pagar impostos.
A base da produção agrícola era o milho, seguido pela batata, tomate, abóbora, amendoim, etc. Nas áreas mais altas e com dificuldades de obtenção de água, o milho tinha de ser plantado nos terraços feitos nas encostas das serras com canais de irrigação.
A domesticação de ilhamas, vicunhas e alpacas foi importante para o fornecimento de lã, couro e transporte. Os cachorros-do-mato e porcos tinham importância secundária.
O comércio era muito precário e restringia-se basicamente aos bens de luxo destinados à corte.

Religião dos Incas

Havia uma rede de sacerdotes, escolhidos entre a nobreza. Suas funções variavam desde a manutenção dos templos, realização de sacrifícios, adivinhações, curas milagrosas, até feitiçarias e oráculos. A grande maioria dos cultos e cerimônias religiosas dos incas era em homenagem ao Sol. Os sacerdotes também tinham a função de ensinar e divulgar, junto com historiadores oficiais, os mitos, lendas e histórias sobre o inca. É interessante notar que existia uma religião para a nobreza e outra divulgada entre a população mais pobre.

Cultura inca
Lembrando o que já foi dito, o Estado inca utilizou-se das inúmeras conquistas das civilizações pré-incaicas para controlar e manter seu Império.
Eles faziam um uso abancado da matemática, conheciam inclusive o zero; conheciam  muito bem a astronomia, pois o Sol representava o deus mais importante, podendo prever eclipses e fazer calendários; usavam pesos e medidas padronizados.
Os trabalhos dos incas na manufatura do ouro, da prata e do cobre maravilharam os espanhóis. Além disso, produziam cerâmica, tecidos coloridos, esculturas e pinturas
Cidade Inca de Machu Pichu
Machu Pichu
Talvez as maiores produções incaicas estejam relacionadas com a arquitetura e a engenharia. Por meio delas foi possível construir pirâmides, palácios, pontes e caminhos; cidades como Cuzco e Machu Pichu, que reuniam milhares de pessoas e mantinham uma rica ordem urbanística. E os famosos terraços irrigados nas serras e montanhas para a produção agrícola.


Conclusão 

Concluímos então que  quando Colombo chegou à América, em 1492, encontrou o continente habitado há muito tempo por várias civilizações e povos. Os povos pré-colombianos apresentavam diferentes  estágios de desenvolvimento cultural e material, classificados em sociedades de coletores/caçadores e sociedades agrárias. Dentro desse segundo grupo, três culturas merecem maior destaque: os maias, os astecas e os incas. Alcançaram notáveis conhecimentos de astronomia e matemática, além de dominar técnicas complexas de construção, metalurgia e cerâmica. Desenvolveram técnicas diferentes de agricultura. Enquanto o fim da cultura maia é até hoje um mistério, sabemos que os povos astecas e incas decaíram perante a conquista espanhola.


Bibliografia

  • Site: www.historianet.com.br  
  • História Integrada Geral e Brasil – Caminho das civilizações
  • Autor:  José Geraldo Vinci de Moraes
  • Editora:. Atual -  SP: 1998
Por: José Geraldo Vinci de Moraes


Veja também: 

Visão imaginário dos europeus sobre o Novo Mundo

O IMAGINÁRIO EUROPEU E A AMÉRICA

Os Portugueses que tinham achado o Brasil e os outros europeus que voltavam das Américas, regressavam com toda a espécie de narrativas exóticas, novidades científicas, plantas, animais e até seres humanos, para serem expostos à curiosidade daquele Velho Mundo. Nessa época a Europa deixara para trás o período depois designado de Idade Média , sendo o Continente varrido pelos ventos renovadores do Renascimento.
A América descoberta, encontrada por Colombo, em meio a “mares nunca dantes navegados”, incorporou-se ao imaginário europeu com um leque de atributos que já havia sido destinado a ela numa época em que nem descoberta tinha sido. O fértil imaginário europeu já tinha construído como seu este Novo Mundo, restando para Colombo apenas a comprovação de tudo – e que tudo - o que havia sido produzido pela imaginação e pelo sonho incomensurável de seus contemporâneos.
Os incontáveis círculos eruditos dos geógrafos e dos cartógrafos, respondendo às várias ideologias religiosas e científicas, vinham ao longo dos últimos séculos se questionando e se informando sobre o que existiria “além mar”: riqueza ou devastidão, fortuna ou desespero, humanos ou demônios. Seria o fim do mundo ou um outro mundo ?
Através de variadas narrativas de viajantes como o italiano Marco Pólo e o português Fernão Mendes Pinto, o Oriente havia seduzido a imaginação daquelas sociedades em rápida transformação porém, para a quase totalidade das pessoas, os mares eram vistos como lugares de acesso temerário, habitados por monstros e fustigados pelas tormentas.
A primeira imagem concreta da América que surgiu aos olhos do europeu foi revelada por Colombo e ele a chamou de “Índias”. De fato, Colombo pensou ter chegado às Índias. Em conseqüência, tudo o que seria descoberto e encontrado nestas terras seria nomeado e carimbado como “indiano”.
Encontrou, no entanto, o descobridor dificuldades ao deparar-se com notáveis diferenças com o mundo, pouco mas já conhecido, das Índias como, por exemplo, no campo da fauna e da flora. No entanto aproveita a imprecisão, os exageros e as mistificações freqüentemente presentes nos relatos de viajantes. Alguns, se não muitos, não hesitam em incluir até inverdades para não falar em delírios provocados por distúrbios diversos. Afinal quem ia clamar por provas ou apontar incoerências? Estavam mais interessados no sensacionalismo e no exotismo dos fatos contados.
Mito e realidade, fantasias e fatos, todos elementos de um mesmo relato, cujo objetivo residia menos na fria veracidade científica do que no deleitoso prazer da diversão. Eis a América com a qual já se sonhava.
Os componentes de uma natureza até agora desconhecida eram recodificados, para serem integrados ao repertório dos objetos familiares dos europeus. Assim fazendo, toda descrição de algo não conhecido passava a ser relatada em termos de comparação com o que existia de mais parecido no conhecimento vigente.
Institui-se desta maneira uma visão de pouco rigor objetivo que impunha, em absoluto e sem exceção de espécie alguma, a referência européia como padrão do ideal universal para avaliar elementos totalmente diferentes, quando não integralmente desvinculados de qualquer objeto conhecido.
A Igreja e a aristocracia enxergavam na idéia de América uma fonte nova de poder e riqueza. Por razões estratégicas - que envolviam até técnicas de contra-informação, como a divulgação de mapas geográficos propositalmente falseados - as Coroas só permitiam a uns poucos e leais servidores o acesso aos bem guardados segredos da nova geografia.
Com o regresso das caravelas e as tripulações recheadas de novidades, as Américas passaram a serem descritas ora como longínquos infernos hostis, de climas insalubres, habitados por criaturas inumanas, canibais e bestas demoníacas, gente que parecia ter sido esquecida por Deus; ora como paraísos férteis, povoados de selvagens nus e gentis, pacíficos e felizes, que pelo contrário teriam sido protegidos em seu estado divinamente “puro”.
Se a fé de Colombo alimenta sua imaginação e o conduz a leituras de absoluta conformidade e harmoniosa sintonia com a espiritualidade cristã, seus entendimentos com os membros da Igreja obrigam-no também a conduzir suas narrativas nesta mesma direção. Assim sendo, Colombo vê mais com a fé do que com os olhos e reafirma a perigosa - já que deturpada e corrompida - prática de sobrepor o sonho à realidade e a crença à ciência. E, quando se vê confrontado a expressões da natureza que escapam aos modelos já conhecidos, fica desarmado e, segundo suas próprias palavras, obrigado a admitir sua incapacidade de explicar.
Nem mesmo o apoio dos textos bíblicos e as palavras dos homens de Deus poderiam ser-lhe de alguma ajuda para a análise científica. No entanto, tratando-se de interesse público, ou seja interesse do público, pesavam mais as versões exóticas e as palavras divinas do que os experimentos científicos e as teses racionais.
Logo nos primeiros relatos dos viajantes, o Novo Mundo despertou paixões inflamadas. A partir do início do século XVI os testemunhos passaram a separar verdades de fantasias, inspirando numerosas publicações repletas de relatos e imagens, o que contribuiu para uma visão mais apurada das, assim denominadas, Américas.
O Brasil, a Terra Brasilis, é representado com florestas frondosas, frutos e águas abundantes, indígenas de pele escura, pássaros multicoloridos, estranhos e bizarros animais. Nesta época, apesar de todas as transformações e riquezas que chegavam agora do mundo inteiro, Portugal e Espanha ainda conviviam com uma sociedade na qual a religião detinha quase todo o poder e praticamente controlava as manifestações artísticas, ao contrário do que sucedia na Itália, França, Holanda e no resto da Europa mais liberta das tutelas teológicas.
Como todos os viajantes, descobridores e navegadores, ao se depararem com o Novo Mundo, o mundo não-europeu e pagão, Colombo opta pela descrição visual de tudo o que vê e observa. Conserva assim o poder de conhecer o desconhecido, e relatá-lo à sua maneira. O imaginário europeu acerca da América vai assim crescer e se multiplicar, salvo do rigor e do despojamento científico e racional para deleitar-se nas volúpias do barroco e do exotismo inusitado.
O livro C’est la déduction du somptueux orde..., editado em Rouen, França, em 1551 por Jean Du Gord, documenta a vida selvagem e comemora a entrada triunfal do soberano Henri II. Trata-se de uma documentação da entrada triunfal dos soberanos Henri II e Catarina de Médicis naquela cidade (em 1 de outubro de 1550) quando os europeus puderam ver índios desfilar no cortejo, exibidos como troféus.
Fabrica-se então uma América farta, opulenta e colorida, moldada na riqueza e na exuberância do já conhecido Oriente, mas também uma América imaginária, despudorada e sedutora. Os europeus se encantam, cedem aos charmes exóticos, deliciam-se com especiarias e sonhos, luxos e fortunas.
Foi então, no século XVI, que começaram a surgir na literatura e nas artes as primeiras figuras de ameríndios. Do ponto de vista dos conquistadores e seus aliados religiosos, tratava-se de povos que precisavam ser catequizados, integrados aos valores do Cristianismo universal, único caminho para poderem salvar suas almas e viver como crentes, uma tarefa gigantesca que agora se impunha aos evangelizadores.
Entretanto, eram muito diferentes as preocupações quanto às riquezas materiais, objeto imediato de pilhagens por parte dos “civilizadores” - e seria necessário decorrerem mais de três séculos para se abolir a escravatura nas Américas. Pinturas e gravuras da época, agora documentadas pelos relatos, revelam paraísos, uma natureza farta de frutas e animais e um esplendor de cores e sentidos colocados à disposição dos homens pelo Criador. Já na construção imaginativa oposta descrevia-se o índio selvagem, primitivo, bárbaro, nu, canibal, pagão, ignorante, inserido num ambiente inumano, atormentado por um “calor infernal”, às voltas com as suas florestas intransitáveis, seus animais ferozes, suas doenças letais. Enfim, uma visão terrena antecipada do que seria o inferno, tudo isso criado por Deus para “castigar” os selvagens pagãos.
Estas duas visões maniqueístas, por vezes figuram conjuntamente nos livros dos viajantes, abundantemente ilustrados, aliás mostrando menos uma oposição e mais propriamente um sentido complementar entre elas. Aos poucos foram sendo abandonadas as concepções intolerantes, radicais e ilusórias, desprovidas de realismo.
No Velho Mundo alastrava então uma nova ordem, uma sociedade mais aberta. Os cultos sábios humanistas do Renascimento iriam desempenhar um papel fundamental, influenciando a sociedade e as artes de maneira profunda, procurando uma convivência harmônica entre a Ciência e a Religião, que porém estaria longe de ser pacífica ainda pelos séculos vindouros.

A CIÊNCIA E O IMAGINÁRIO

O imaginário europeu, nutrido agora com dados científicos, relatados em cartas náuticas e experiências descritas em relatos de viagens, abre-se para as Américas, enriquecido pelas idéias do Renascimento. Imensa quantidade de gravuras e desenhos revela um outro ser humano, bem diferente do europeu: índios em contato direto com a natureza pródiga, de corpos saudáveis e bem torneados, bem alimentados de carnes e frutas, adornados com jóias e plumas. Uma concepção distante do imaginário anterior dos homens primitivos, deslocando-se em bandos miseráveis, vestidos com peles de animais, acocorados em volta do fogo, em paisagens áridas, sofrendo uma vida de pobreza e perigos, apenas sobrevivendo tristemente. Era a visão de um mundo onde não existia prazer, nem alegria, nem conforto.
Quanta diferença da indolência sensual e contagiante dos índios, com sua fartura e diversidade de alimentos, a beleza dos corpos, os risos e as brincadeiras de seus passatempos! Espantaram-se os descobridores com a variedade e diversidade dos povos na América, ricos e particulares, suas línguas, culturas e costumes.
Quantas maneiras e modos diferenciados no que tocava o simples cotidiano; não somente a linguagem, a alimentação, o habitat, e também aspectos de grande sofisticação, requintes até, nas pinturas corporais, nos adornos com plumas coloridas, nos objetos de palha trançada e nas ferramentas finamente esculpidas. Mas a eles lhes era ainda vetada, e assim o seria durante vários séculos, a noção de cultura, a qual na época só poderia pertencer ao vocabulário da civilização, isto é do Velho Mundo.
Nos seus relacionamentos, nas suas formas extensas e codificadas de se comunicar, dentro da mesma tribo ou não, dentro da mesma etnia ou não, tudo isto surpreendia os europeus que nunca poderiam imaginar encontrar em terras desconhecidas tantos povos com tantas variantes. As crenças e religiões, os tipos físicos, os níveis de desenvolvimento, eram muitas as informações e complexas as suas interpretações.
Muitos povos eram pobres, mas alguns possuíam riquezas fartas, ostentavam artefatos luxuosos e acumulavam tesouros de ouro e pedras preciosas. A mais completa ausência de tecnologias “modernas”, tais como ferro, arado ou pólvora não impedia um estilo de vida gerador de riquezas capazes de despertar sanguinárias ganâncias nos sonhos dos conquistadores que varreram as Américas do México ao Peru.
Nas mentes européias, a descoberta de sociedades humanas pagãs e primitivas, vivendo em aparentes paraísos, teve um impacto surpreendente. Na Europa cristã, a esperança de uma pessoa ser aceita no paraíso, anteriormente estava indissoluvelmente associada aos cristãos tementes a Deus e merecedores da escolha divina. Não podemos esquecer que se vivia na Europa Ocidental da Inquisição. O conceito de ser primitivo implicaria obrigatoriamente uma vida miserável. As revelações do Novo Mundo chocavam-se e desmentiam as concepções religiosas e as tradições filosóficas medievais.
Do século XVI ao XVIII se consolidará esse imaginário do poder, junto às descrições apelativas de Eldorados e de terras paradisíacas, ficções, ensaios, teatro, poesia, polêmicas, debates em torno da monarquia e liberdade, da cidadania, ou seja, da subjetividade moderna nascente. Shakespeare, Montaigne, Ronsard, Rabelais, Rousseau, Diderot, Voltaire, La Fayette alimentaram, cada um à sua maneira, o imaginário europeu sobre a América.
Surgiram mais tarde também teses de tipo romântico, que defendiam o contrário da visão tradicional: todo o homem primitivo seria bom, apenas se tornando mau quando corrompido pela sociedade. Era a “teoria do bom selvagem” imortalizada por um filósofo, nascido em Genebra, Jean Jacques Rousseau (1712-1778), que vamos referir adiante.
Porém, não era possível dissociar a idéia do índio primitivo das suas práticas de canibalismo, o que estava presente em muitos relatos de viajantes. As opiniões sobre o tema divergiam: tratava-se de canibalismo ritual ou de antropofagismo alimentar?
Na prática, o canibalismo representou uma ruptura radical entre os indígenas e os conquistadores. A ingestão de pedaços de carne humana aparecia no imaginário europeu ora como forma de vingança dos inimigos vencidos, ora como prática ritual para adquirir as características das pessoas sacrificadas, mas sempre como um traço cultural abominável.

HANS STADEN DE HOMBERG NA TERRA BRASILIS:
UM AVENTUREIRO NA AMÉRICA

Em 20 de junho de 1556 um alemão aventureiro e viajante compulsivo, dedicou ao “glorioso” príncipe de Hessen um fantástico relato de suas aventuras, decorridas principalmente em terras brasileiras: A História Verídica que descreve uma terra de selvagens nus e comedores de seres humanos, que se situa no Novo Mundo da América, etc. Seus escritos estão mais de acordo com a visão pessimista européia do Novo Continente: índios em que ninguém pode confiar, torturadores, traiçoeiros e canibais. Era uma descrição tão insólita para os europeus daquele tempo, que por muitos foi considerada um amontoado de mentiras. Após muitas peripécias, contadas em tom de tragédia, mas que freqüentemente deixam o leitor atual à beira do riso, os escritos de Staden nos dão informações interessantes sobre as relações entre nativos, portugueses e franceses.
Capturado pelos tupinambás perto de Bertioga, logo entendeu que eles o queriam maltratar. “Nisto me levaram para a cabana onde tive de deitar numa rede e mais uma vez vieram as mulheres e bateram em mim, arrancaram meus cabelos e mostraram-me como pretendiam me comer...com os pés atados desta maneira tive de pular pela cabana. Eles riam e gritavam: lá vem a nossa comida pulando...Deram voltas em torno de mim ...um deles disse que o couro da cabeça era dele, um outro que a minha coxa lhe pertencia...(eles) preparam uma bebida de raízes que chamam de cauim... Somente depois da festa é que matam (os prisioneiros, para os devorar) ...”
Não satisfeitos em ameaçar devorá-lo, mantendo-no sobre forte tensão, os índios levaram-no para Ubatuba onde tinham estabelecido sua aldéia. Com freqüência obrigando-o a assistir a rituais antropofágicos. Em determinada oportunidade, sem que se saiba o porquê de tal decisão, fizeram-no ir à aldeia de Tiquaripe, nos arredores de Angra dos Reis, obrigando-no a assistir a uma cerimônia no qual o ibirapema, o mestre das execuções, escolheu um dos inimigos aprisionados para ter a sua cabeça por ele esmagada. Os membros da tribo, já meio embriagados e muito exaltados, cercaram o cadáver, despedaçando-o e o devoraram em seguida.
Após inúmeras aventuras, que lembram as narrativas dos romances da Idade Média, o viajante alemão acaba por escapar, voltando à terra natal para contar suas aventuras aos incrédulos compatriotas.
Interessa, porém, observar, no que toca ao livro de Staden, as precauções que ele tomou na Alemanha para que acreditassem nele. A Europa do século XVI, o grande século das navegações, estava cansada de ler ou ouvir relatos cravejados de mentiras e absurdos diversos.
A tal ponto tinham chegado as coisas, que Rabelais, o grande satírico francês, fazendo mofa do livro do padre cosmógrafo André Thévet (Singularitez de la France Antarctique, 1558), decidiu-se inserir na sua obra (Gargantua e Pantagruel, 1564, Livro V), dois capítulos denunciando, pelo riso, o disparate das visões mentirosas que alguns viajantes tiveram no inexistente “País de Cetim”. Criou, também, como símbolo desses mitômanos, um personagem-caricatura, o “Ouvi-dizer”, que, apesar de ser um velho, corcunda e paralítico, tendo a língua esfacelada em sete pedaços, narrava, com um mapa-múndi aberto à sua frente, as suas impossíveis aventuras para uma multidão de crédulos. Eram histórias de unicórnios, de mantichoros com corpo de leão e cara humana, de cabeçudíssimos catoblepos de olhos venenosos, de hidras com sete cabeças, de onocrotalos que imitavam gritos de asno, de pégasos, e de tribos de seres com cabeças de pássaros, ou até mesmo com duas cabeças, de povos fabulosos que andavam apoiados nas mãos, com as pernas balançando no ar!
Querendo, pois, evitar ser chamado de embusteiro, Staden, além de banir do seu relato qualquer menção à zoologia fantástica, pediu a um conhecido seu do Hesse, um tal Dryander, que assegurasse a veracidade do conteúdo do livro. Staden, “ébrio de um sonho heróico e brutal”, viera a dar com os costados no Brasil para satisfazer seu gosto pela aventura, para ver de perto as maravilhas que escutara na Europa sobre o Novo Mundo descoberto. Foi na sua segunda viagem ao Brasil (na primeira ele conhecera Pernambuco) que Staden naufragou nas costas do litoral fluminense. Por saber lidar com canhões, os portugueses, que o acolheram muito bem, promoveram-no a artilheiro do Forte de Bertioga.
Nota: As aventuras de Hans Staden renderam no Brasil um filme longa metragem (dirigido por Luiz Alberto Pereira) e algumas edições de livros, entre as quais sugerimos Hans Staden, tradução de Angel Bojadsen, introdução de Fernando A. Novais, Editora Terceiro Nome, São Paulo, 1999.

JEAN-JACQUES ROUSSEAU, O ESTADO DE NATUREZA E O BOM SELVAGEM

Rousseau, a quem nos referimos atrás, foi um típico intelectual do seu tempo, do mais alto quilate, que o fez merecer o título de filósofo e precursor dos românticos.
Suas preocupações o levaram a muitos campos da cultura, mas neste caso nos interessam apenas os seus pontos de vista sobre os povos primitivos. Mostrou-se original e sensível ao aproximar o “estado de natureza” de sua teoria sobre o “bom selvagem”. Assim fazendo, nascia, como afirmou Claude Lévi-Strauss, a etnologia um século antes que ela fizesse a sua aparição.
A filosofia clássica afirmava que o “estado de natureza” representava uma era de barbárie na qual a formação e o usufruto da vida em grupo estariam definitivamente derrotados. Este “estado de natureza” posicionava-se somente como ponto de partida para o grande projeto da humanidade através de civilização.
Rousseau, por sua vez, revelou e valorizou as qualidades do “bom selvagem”, o qual desfrutava de um ambiente natural generoso e acolhedor ao ponto de poder satisfazer suas módicas necessidades ligadas à subsistência. Por outro lado, gozava de uma índole pacífica e pura, desprovida de desejos de riqueza, glória e poder, próprios de cidadãos civilizados.
Levando esta idéia além, ele considerava que através do raciocínio lógico chegaríamos a descobrir o estado natural: em primeiro lugar impõe-se o conhecimento do ser humano, o mais importante de todos. Por aí chegamos à conclusão que o selvagem primitivo era um ser robusto e preparado para o seu ambiente, sabia enfrentar os animais e viver em harmonia com a natureza.
Ao contrário, o homem civilizado é um ser viciado e cheio de defeitos. Olhemos para o exemplo dos animais, que em seu estado selvagem são auto-suficientes e cheios de beleza e, quando domesticados, perdem estes predicados, ficando dependentes do homem.
Os instintos dos selvagens primitivos eram poucos e simples: receavam a dor (física, claro, que outra qualquer eles ignoravam); suas paixões eram a nutrição, o repouso e a reprodução. Como nunca tinham refletido sobre a morte, logicamente não a temiam.
O homem natural não é bom nem mau, não faz juízos de valor sobre o que é vício ou virtude. Entretanto, no estado da natureza, as paixões (instintivas) são mais exacerbadas. O selvagem está com fome, alimenta-se e sua paixão se extingue.
Resumia Rousseau estas dualidades expressando que “a maioria dos nossos males é obra nossa”. Falando de amor, existem dois tipos, um que pode chamar-se de moral, mas que na verdade é uma forma fictícia de amor. Foi criado pela sociedade, “inventado pelas mulheres”; é muito diferente do amor físico, esse sim, verdadeiramente autêntico. Ao selvagem qualquer mulher lhe serve, como acontece com os animais. A educação, os hábitos e as culturas sociais, na verdade depravaram o homem e lhe roubaram sua autêntica natureza.
Deixando de lado os comentários absurdos - e desatualizados - sobre o amor e a condição feminina, nesta teoria do bom selvagem de Rousseau podemos verificar a visão otimista e idílica que os europeus passaram a ter dos povos primitivos - agora completamente separada do preconceito medieval que os considerava como seres inexoravelmente condenados às penas dos infernos.
Nota: os escritos de Rousseau, provocaram influências variadas, vastas e profundas no pensamento ocidental. Para o tema do “bom selvagem” o leitor encontrará facilmente inúmeras páginas de divulgação cultural em nossas enciclopédias. Poderá consultar, entre essas fontes: Rousseau, em tradução de Lourdes Santos Machado, enriquecida com as contribuições de Paul Arbousse-Bastide e Lourival Gomes Machado, Editora Nova Cultural, São Paulo, 1999.
Os humanistas foram criando novos símbolos, metáforas e alegorias. Um dos temas prediletos passou a ser Os Quatro Continentes. É que aos Três Continentes, representados desde a Antiguidade e com muita influência dos cânones greco-romanos, os europeus acrescentaram outro, com a representação alegórica do Novo Mundo: uma mulher mostrada em sua nudez e sensualidade, com traços guerreiros, adornos de plumas e carregando arco e flecha. Era a América India.
Neste campo cada artista exerceu sua sensibilidade em conceitos e imagens que muito variaram e se tornaram patentes em suas pinturas. Há numerosos quadros e gravuras privilegiando temas simbólicos como animais exóticos, frutas tropicais, grande diversidade e riqueza de roupas. Outros sublinhavam os pendores guerreiros e referiam-se ao canibalismo, às qualidades maternais das índias, à interação com a natureza exuberante, o espírito comunitário, a vida indolente e pacífica.
Muitas pinturas apresentam algumas destas características combinadas, tentando representar equilibradamente a visão do Novo Mundo. Entretanto, de pinturas com alegorias especificamente relacionadas ao Brasil, só se tem notícia no Século XVII. Devemos mencionar que no século anterior o principal suporte pictográfico tinha sido a gravura em diversas formas. A xilogravura (entalhada em madeira), foi aos poucos cedendo espaço para outro processo de mais recursos artísticos, a gravura sobre cobre, praticada por muitos grandes mestres da época, sobretudo na Itália, Alemanha, Flandres e França.
O fascínio europeu pelas Américas promoveu uma mobilização ampla e profunda em todos os domínios da atividade humana. As conquistas, a constituição de impérios ultramarinos e o conseqüente enriquecimento dos países europeus, sobretudo de Portugal, Espanha, Inglaterra e Holanda, também motivaram os artistas, que foram progressivamente se libertando dos limites impostos pelos motivos religiosos, para se expressarem com mais liberdade.

Migração

Fontes da Web





 

Estado do bem-estar social

Atividade de História Tópico 15 Do Estado do bem-estar social ao desenvolvimento do neoliberalismo: as políticas de assistência e inclusão social EM


Tópico 15 Do Estado do bem-estar social ao desenvolvimento do neoliberalismo: as políticas de assistência e inclusão social
Leia os textos, a seguir:
TEXTO 1 - O maior dos regimes neoliberais, os EUA do presidente Reagan e a Grã-Bretanha da primeira ministra Margareth Thatcher os regimes mais profundamente comprometidos com a economia do laissez-faire (Deixe fazer)eram também nacionalistas e desconfiados do mundo externo.
” Pontos a respeito da liberalização das economias mundiais:
1-Os países mais desenvolvidos fazem propaganda neoliberal e, não adotarem estas mesmas posições ao formular suas políticas de governo,porque esses adotam práticas de políticas protecionistas de variados modos (tarifas alfandegárias altas para produtos importados, embargo de mercadorias de nações estrangeiras por motivos pouco convincentes, etc.).
2-A liberalização de mercados favorece mais aos países dominantes, pois já dispõem de recursos volumosos para investimentos em infra-estrutura; para subsidiar a produção de certos produtos, tornando assim os produtores nacionais mais competitivos no mercado mundial, Além da disparidade tecnológica entre países desenvolvidos e atrasados economicamente.
“A batalha entre Keynesianos e neoliberais não era nem um confronto puramente técnico entre economistas profissionais, nem uma busca de caminhos para tratar de novos e perturbadores problemas econômicos. Era uma guerra de ideologias incompatíveis. O Keynesianismo modelo político dominante no pós-guerra (1945 em diante), teve sua força atrelada a condições históricas específicas – necessidade da reconstrução material, política e das economias da Europa, medo do avanço do comunismo, etc. Os dois lados apresentavam argumentos econômicos. Os keynesianos afirmavam que altos salários, pleno emprego e Estado do bem-estar haviam criado a demanda de consumo que alimentara a expansão e que bombeara mais demanda na economia era a melhor maneira de lidar com depressões econômicas. Segundo os mandamentos neoliberais, genericamente, a ação do Estado deve reduzir-se ao mínimo possível”ESTADO MÌNIMO” Os neoliberais afirmavam que a economia e a política da Era de Ouro (1945-73) impediam o controle da inflação e o corte de custos tanto no governo quanto nas empresas privadas, assim permitindo que os lucros, verdadeiro motor do crescimento econômico numa economia capitalista aumentassem isso justifica o abandono das políticas relacionadas ao Estado do bem-estar social para implementação da cartilha neoliberal entre meados da década de 1970 e inícios da década de 80 nos países mais ricos ,a crise do Petróleo, de 1973, foi um fator desestabilizador das economias dos Estados do bem-estar social” HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos. SP; Cia. das Letras, 1995, p. 399.
TEXTO 2- CONSTITUIÇÃO FEDERAL DO BRASIL, 1988
CAPÍTULO II--Dos Direitos Sociais
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos
II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário
III - fundo de garantia do tempo de serviço
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; (...)FONTE:www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao
TEXTO 3
Num mundo de tantas desigualdades sociais, onde o acesso a serviços e produtos básicos (saúde, educação, alimentação digna, etc.) é negado a grandes parcelas da população, o que dizer sobre a cartilha liberal?Se mesmo com a atual atuação do Estado no mercado de produtos e serviços a situação já é falha, podemos imaginar de antemão os resultados desastrosos da aplicação de políticas neoliberais no extremo. Em sociedades onde as desigualdades sócio-econômicas são perversas, chega a ser cinismo tratar todos como iguais.O desmonte da máquina estatal, já nos têm demonstrado a experiência cotidiana, por si só não resolve, é necessário aumento de oferta e competitividade de produtos, baixa nos preços, aumento da qualidade e da eficiência na prestação de serviços básicos à população.
ATIVIDADES:
1-) O que foi o Keynesianismo?
2-) O que foi o Estado do Bem estar Social?
3-)O que foi o Estado Mínimo ou Estado Liberal? 4-)O que foi a Era do Ouro?
5-)Que dois países foram os primeiros a adotarem a liberalização da economia?Sob orientação de quais chefes de governo?
6-) Por que os países mais desenvolvidos não adotam a política neoliberal ao formular suas políticas de governo?
7-) Por que a liberalização de mercados favorece mais aos países dominantes que os dominados -em desenvolvimento-?
8-)De quem é a responsabilidade com os serviços básicos que têm que ser oferecidos á população?E se a política Liberal for levada ao extremo e esses serviços forem tercerizados o que você acha que pode acontecer? “Com a liberalização irrestrita de mercados e das relações de trabalho, com a saída do Estado de setores estratégicos da economia como: telecomunicações, energia, etc., será possível, num futuro próximo, o real comprimento de direitos sociais como os que são acima citados?

Atividades sobre a Constituição dos direitos

Atividade de História sobre o TÓPICO 16 A CONSTITUIÇÃO DOS DIREITOS(CIVIS, POLÍTICOS E SOCIAIS) NA REPÚBLICA BRASILEIRA: DEMANDAS SOCIAIS E LEGISLAÇÃO



TÓPICO 16 A CONSTITUIÇÃO DOS DIREITOS(CIVIS, POLÍTICOS E SOCIAIS) NA REPÚBLICA BRASILEIRA: DEMANDAS SOCIAIS E LEGISLAÇÃO
Palavras chave: xenofobia, discriminação, preconceito
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL- Promulgada em 5.10.1988
TÍTULO I--Dos princípios fundamentais
Art. 3 – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I – constituir uma sociedade livre, justa e solidária
II – garantir o desenvolvimento nacional
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação


ATIVIDADE
 1 Você vive numa sociedade livre, justa e solidária, tal como colocado na Constituição como objetivos nacionais?
2-A questão da pobreza e a marginalização ainda existem no nosso país? Comente.
3-Quais dos direitos acima apresentados você acha que são realmente cumpridos no nosso país?
4-O que você acha que leva ao não cumprimento dos itens garantidos pela Constituição e quais seriam as possíveis saídas para os problemas.

ATO INSTITUCIONAL Nº 5--Ato que estabelecia uma série de leis limitadoras da liberdade do cidadão, promulgado em dezembro de 1968, durante o governo militar.
Art 4º - O Presidente da República poderá suspender os direitos políticos de quaisquer cidadãos pelo prazo de 10 anos e cassar mandatos eletivos federais, estaduais e municipais.
Art 5º - A suspensão dos direitos políticos, com base neste Ato, importa, simultaneamente, em:
I - cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função
II - suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais
III - proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política
IV - aplicação, quando necessária, das seguintes medidas de segurança:
a) liberdade vigiada--b) proibição de freqüentar determinados lugares--c) domicílio determinado
Art 7º - O Presidente da República poderá decretar o estado de sítio .
Art 10 - Fica suspensa a garantia de hábeas corpus .
--In GASPARI, Elio. O dia em que mandaram a democracia às favas. Revista Nossa História, n. 1. RJ: Biblioteca Nacional: Ed. Vera Cruz, no./2003, p. 52-57.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA - 1988
TÍTULO II--Dos diretos e garantias fundamentais
CAPÍTULO I--Dos direitos e deveres individuais e coletivos
Art. 5 - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à segurança e à propriedade, (...).
II – ninguém será obrigado a fazer alguma coisa senão em virtude de lei
III – ninguém será submetido nem a tratamento desumano ou degradante
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial
XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal

ATIVIDADES
1-) Quais são os itens democráticos e autoritários presentes nos dois textos apresentados:
2-) Faça um paralelo entre os direitos democráticos e os estabelecidos pela ditadura.

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DO BRASIL - 1988
TÍTULO I--Dos Princípios Fundamentais
Art.1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado democrático de direito e tem como fundamentos:
I - a soberania--II - a cidadania--III - a dignidade da pessoa humana
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa--V - o pluralismo político
Parágrafo único- Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
TÍTULO II --Dos diretos e garantias fundamentais CAPÍTULO II --Dos direitos sociais Art.6º - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.
ATIVIDADES:
1-    Qual a diferença existente entre o que determina a Constituição e a realidade brasileira?

Na Constituição do Império, em 1824, podiam votar apenas os que tivessem mais de 25 anos e ganhassem mais de 100 mil réis por ano; os analfabetos votavam, mas as mulheres não. Em 1846 a renda anual exigida subiu para 200 mil réis. A partir de 1882, os novos eleitores analfabetos não podiam ser votados. Com a proclamação da República, em 1889, a idade mínima do eleitor passou a ser de 21 anos, acabando-se a exigência de renda mínima, porém continuando proibido o voto feminino. Em 1891 todos os analfabetos perdem o direito de voto. Em 1932 foi instituído o voto feminino no Brasil e em 1934 a idade mínima baixou para 18 anos, ampliando-se consideravelmente o número de eleitores. A cidadania ativa dos analfabetos foi restituída por emenda constitucional em 1985, continuando proibida a eleição dos mesmos para o exercício de mandatos eletivos. Por fim, a Constituição de 1988 instituiu o voto facultativo para os menores entre 16 e 18 anos e para os maiores de 70 anos, consagrando o voto feminino e dos analfabetos.
ATIVIDADES4--
1-Por que você acha que a mulher ficou tanto tempo excluída da vida política do Brasil?
2-Você acha que um analfabeto poderia representar o povo em algum cargo político?
3-Com o voto censitário ,quem ficava excluído da vida política no Brasil?
4-O que é voto facultativo?
5-O que é sufrágio Universal?
6-O que é voto direto ?