sexta-feira, 26 de abril de 2013

Revolução Industrial e as lutas Operárias

                                    
A Revolução Idustrial causou graves consequências na vida na vida dos trabalhadores, pois não havia regras ou limites para o exercício do trabalho. Os donos das fábricas impunham salários miseráveis e longas jornadas, que chegavam a dezoito horas diárias. Contra essa condição subumana, os trabalhadores lutaram de diversas maneiras.

Primeiras Lutas Operárias 

Movimento "Luddita"  (Ned Ludd)  1811
Foram protestos contra as máquinas inventadas para economizar mão-de-obra. Os luditas invadiam as fábricas e destruíam as máquinas, que não só tirava o trabalho dos artesãos como impunha aos operários condições desumanas de trabalho. Os integrantes do movimento sofreram dura repressão e foram condenados à prisão, à deportação e até à forca. 
Movimento Cartista   (1830)
Foram os primeiros a incorporar as idéias de democracia, igualdade e coletivismo a um amplo e significativo movimento de trabalhadores. O cartismo teve origem numa petição conhecida como Carta do Povo, apresentada ao governo da Inglaterra, reivindicando:
  • sufrágio universal masculino;
  • voto secreto;
  • eleições anuais para o parlamento;
  • pagamento dos parlamentares;
  • representação política do proletariado.
"Trade Unions"
Associação de trabalhadores com objetivos inicialmente assistenciais, sugindo mais tarde os sindicatos que lutaria por uma transformação social mais ampla.

Novas Ideologias: o debate sobre a nova ordem econômica e social.

O debate decorrente do conflito de interesses entre os empresários e os operários contribuiu para a elaboração de  várias teorias sociais. Algumas justificavam os rumos da nova sociedade industrial capitalista. Outras, identificadas com os interesses dos trabalhadores, denunciavam a exploração do trabalho e pregavam uma sociedade mais livre e justa.

Liberalismo econômico
Teoria que justificou a sociedade industrial, cujos principais representantes foram:

Adam Smith(1723-90): obra, A riqueza das nações.
Criticou a política mercantilista, por meio da qual o Estado interferia na vida econômica. Ele defendia que a economia deveria ser dirigida pelo livre jogo da oferta e da procura de mercado (laissez faire). Segundo ele, o trabalho era a verdadeira fonte de riqueza para as nações, e deveria ser conduzido pela livre iniciativa particular.

Thomas Malthus (1766-1834): obra, Ensaio sobre os princípios da população, no qual defende a tese de que a miséria dos trabalhadores era consequência de uma lei da natureza, e não culpa da burguesia. Para ele, a população crescia num ritmo bem mais rápido do que os meios de subsistência; para evitar esse descompasso, seria necessário restringir a procriação humana.

David Ricardo (1772-1823): obra, Princípios da economia política. Nessa obra afirmou que o trabalho deveria ser encarado como uma mercadoria qualquer, sujeita à "lei da oferta e da procura". Se houver muita oferta de trabalho, o preço dessa mercadoria diminui, resultando nos baixos salários. Para ele, não caberia ao Estado ou aos sindicatos exigir aumentos de salários contrários a essa "lei". Assim, as leis de mercado justificavam os salários de fome e a exploração dos trabalhadores.


Socialismo: teorias que orientaram o movimento operário

Socialistas Utópicos:sonhavam com uma sociedade mais justa alcançada pelas transformações éticas e morais do burguês, de forma pacífica, sem levar em consideração a luta de classes.
Representantes: Saint-Simon, Charles Fourier e Rober Owen.

Socialismo Científico ou Socialismo Marxista:
Segundo essa corrente de pensamento, somente com o fim da propriedade privada, com a união dos operários contra a burguesia, a tomada do poder de estado através de uma revolução é que surgiria uma sociedade mais igualitária ou socialista.

Os Princípios básicos que fundamentam o socialismo Marxista podem ser sintetizados em 4 teorias centrais:
Teoria da mais-valia: onde se demonstra a maneira pela qual o trabalhador é explorado na produção capitalista.
Teoria do materialismo histórico: onde se evidencia que os acontecimentos históricos são determinados pelas condições materiais(econômicas) da sociedade;
Teoria da luta de classes: "o motor da história  humana" é aluta de classes, que só terminaria com a construção da sociedade comunista perfeita. Nela desapareceriam a exploração de classes e as injustiças sociais.

Representantes: Karl Marx (1818-1883) obras, O Capital, O 18 Brumário, o Manifesto Comunista.
Friedrich Engles: (1820-95) obras, A origem da Família, do Estado e da Propriedade Privada.

Anarquismo: palavra de origem grega e dignifica ausência de domínio político autoritário. Acreditavam que o homem deve viver sem Estado, a partir de uma gestão comunitária, ou seja, por meio da cooperação. Em livre associação, os indivíduos seriam capazes de produzir e distribuir a riqueza produzida de acordo com suas necessidades. Defendiam:
  • supressão de toda e qualquer forma de governo;
  • abolição da propriedade privada;
  • instalação de uma sociedade sem classes:
  • extinção das desigualdades sociais:
  • superação do capitalismo e instalação imediata da sociedade comunista.
Representantes:  Pierre-Joseph Proudhon(1809-65) obra, "O que é propriedade" e Mikhail Bakunin (1814-76).

Socialismo Cristão: a Igreja Católica assumiu uma posição de crítica, não ao capitalismo em si, mas aos abusos da exploração capitalista. O Estado deveria criar leis trabalhistas e reconhecer as associações operárias, como forma de amenizar os conflitos sociais e criar uma  cooperação harmoniosa permanente entre capital e trabalho.

Ciclo do Ouro e do Diamante


Fonte:historiavivi.blogspot.com



 

Fonte: Prof. Clides Moraes, enviado por Natelaurie em 19/03/10

A partir de 1693, os bandeirantes Paulista encontraram abundantes jazidas de ouro próximo às atuais cidades de Sabará, Caeté e Ouro Preto em Minas Gerais. As descobertas iniciais foram do ouro de aluvião nos vales dos rios das Morte e Doce. Assim que a notícia se espalhou, milhares de pessoas das mais variadas origens e condições sociais rumaram para lá em busca de riquezas. As descobertas de 1693-1694 de imediato tornaram o Brasil o maior produtor mundial de ouro da época. A massa humana que se dirigiu às minas entre 1700-1720 foi superior a 150 mil pessoas, das quais mais de cem mil eram escravos. Parte da população do litoral  deslocou-se para o interior. Eram  milhares de novos habitantes que precisavam de tudo: alimentos, roupas, gado, cavalos, mulas, produtos europeus e escravos, muitos escravos para trabalhar nas minas. A região  não possuía infraestrutura para receber tantas pessoas. Não havia alimento suficiente nem estradas, apenas trilhas precárias para abastecer a multidão recém-chegada. Além da fome, todo tipo de contravenção, principalmente assassinatos e roubos, ocorria na busca por melhores áreas de garimpo. Dessa forma, a mineração favoreceu o surgimento de centros urbanos e, consequentemente, de uma sociedade mais dinâmica em relação à sociedade canavieira.       http://www.youtube.com/watch?v=h7wYM3uPUYM&feature=related       

No século XVII, surge núcleos urbanos que deram origem a cidades dinâmicas com um ativo mercado consumidor. As vilas e cidades de Minas Gerais tinham uma maior mobilidade social que a de outras regiões da colônia, apresentando novos sujeitos e diferentes relações sociais.

 
vendedores de capim e leite de Jean B.Debret.Fonte:hemi.nyu.edu
 Sociedade mineradora

A base da sociedade, assim como em todo o Brasil colonial, eram os africanos escravizados. Chegando a cerca de 70% da  população total em 1742. Tamanha desproporção entre negros escravizados e brancos livres gerava violenta repressão. Qualquer tipo de de desobediência ou revolta nas minas era punido com castigos severos, como espancamentos públicos ou, em caso extremos, a morte seguida da exibição da cabeça decepada  doescravo,fincada em uma estaca.
Os escravos alimentavam-se basicamente de angu e feijão. Aguardente e tabaco também eram fornecidos a eles, até mesmo para compensar a alimentação deficiente e garantir sua possibilidade de continuar trabalhando.
 As fugas e a formação de quilombos eram constantes. Calcula-se que  nas Minas havia cerca de 160 quilombos no século XVIII. Conforme Laura de Mello e Souza, em sua obra Opulência e miséria das Minas Gerais, dois quilombos se destacaram: o Quilombo do Ambrósio e o Quilombo Grande, ambos destruídos pelo governo. Alguns historiadores acreditam que as condições de trabalho dos escravos das minas eram diferentes daquelas da região açucareira: além de terem os domingos para trabalhar para si, podiam também trabalhar por jornal, isto é, recebiam uma porcentagem do que produziam numa jornada de trabalho. Com isso, muitos conseguiam amealhar boas quantias, que eram utilizadas para comprar a alforria, processo conhecido nas Minas como coartação. Havia os escravos de ganho, que muitas vezes conseguiam acumular dinheiro vendendo produtos e prestando serviços para comprar sua liberdade. Alguns escravos eram alugados por seus donos para trabalharem tanto para particulares como para o governo. Em razão da natureza de determinadas atividades, muitos escravos circulavam livremente nas ruas e nas lavras, podendo assun, conseguir ganhos com os quais, até poderia, algumas vezes, comprar suas cartas de alforria. Era a chamada "brecha urbana" 


 
Mulheres vendendo na rua.Fonte: hemi.nyu.edu
 


Trabalho feminino nas minas



Gravura que mostra uma "negra de tabuleiro" vendendo. Fonte: maniadehistoria.com.ming.

  As mulheres livres e que pertenciam aos grupos médios e inferiores da sociedade tinham uma vida muito dura e enfrentavam muitos preconceitos. Muitas encontraram na prostituição a única forma de sobrevivência. Outras concubinavam-se, visto que o casamento tradicional era algo dificil, fosse pelos custos ou pela demanda dos papéis (que muitas vezes tinham de vir de Portugal).
A luta pela sobrevivência obrigava também as mulheres forras (libertas) ou escravas a uma jornada de trabalho bastante árdua: eram criadas domésticas, lavadeiras, parteiras, cozinheiras, doceiras, tecelão, costureiras, etc. Parte do fruto do trabalho de cozinheiras, doceiras e quituteiras era comercializada nas ruas de vilas e cidades e nas lavras, locais onde se concentrava um grande número de trabalhadores. Essas mulheres eram conhecidas como "negras de tabuleiro". As mulheres vendedoras ambulantes, sofriam pressões das autoridades, porque suspeitava-se que ajudavam os escravos a contrabandear ouro; as que trabalhavam em vendas porque as autoridades viam tais locais como focos de revoltas, brigas e crimes.

Homens livres e pobres

Surge na atividade mineradora uma camada pobre, que não pertencia nem aos escravos, nem à camada média. Eram os "desclassifcados". Eram os escravos libertos, mulatos, brancos pobres, indígenas aculturados, todos atraídos pela ilusão do ouro, sem porém encontrá-los, tornavam-se trabalhadores do comércio e agricultura. Alguns buscavam  no contrabando e roubo ganho ganho fácil.
Havia também a prostituição e a interceptação de pepitas de ouro pelas negras de tabuleiro. Estas, ao levar quitutes para vender nas lavras, podiam esconder pepitas de ouro extraídas pelos escravos.

A camada média ou intermediaria

Eram os brancos e mestiços das mais variadas profissões, o que denota que havia certa mobilidade social. Pequenos comerciantes, tropeiros e mineradores, que faiscavam nos rios com dois a cinco escravos, pequenos agricultores, artesãos e artistas.

A camada dominante

Mineradores ricos que, para explorar suas minas, possuíam inúmeros escravos; grandes comerciante de alimentos e de manufaturados; tropeiros que abasteciam as minas de bois, vacas, cavalos e burros do sul da colônia e os grandes fazendeiros donos de muitas terras e que detinham o poder político local. E, por último os contratadores de diamantes de Diamantino (atual Diamantina, MG),detinham a exclusividade na extração do diamante  e lidavam  diretamente com o rei de Portugal.

Os intelectuais

Na segunda metado do século VXIII, formou-se em Minas Gerais uma elite letrada composta principalmente por pessoas ricas que estudaram nas universidades européias. Eram os advogados, médicos, engenheiros, além de poetas e escritores, que  mais tarde passam a contestar o poder da metrópole, influenciados por ideias liberais européias.

O papel das irmandades

D. João V, proibiu as ordens religiosas  ingressarem na região das minas. Isso fez surgir associações religiosas leigas: as irmandades. Eram católicos que não pertenciam ao clero,cujo objetivo era a caridade. Tornaram-se grandes  patrocinadoras de catedrais, ajudando no surgimento de grandes artistas. Elas eram formadas por pessoas de diferentes grupos sociais. como a da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos, que congregava escravos e muitas vezes juntavam dinheiro para alforriar seus membros.


Técnicas de mineração

Muitas técnicas de exploração do ouro foram trazidas pelos africanos que já as conheciam e utilizavam na África.

1. A bateia:  era uma gamela afunilada, de madeira ou metal. Com movimentos circulares, eliminava-se a areia e o cascalho pelas suas bordas, enquanto o ouro, mais denso, acumulava-se em seu fundo. Os escravos trabalhavam com água pelos joelhos nos leitos dos rios durante muitas horas por dia , em água fria e o sol queimando suas costas nuas
2. O almocafre: era uma espécie de enxada pontiaguda usada para escavar o leito dos rios e extrair o cascalho aurífero. Essa forma de extração conhecida como faiscação era intinerante.O ouro de aluvião era encontrado nos depósitos de areia, argila e cascalho que se formam nas margens dos rios. Por ser sua forma de extração muito simples e não exigia grandes investimentos, era muito praticado. As reservas de ouro de aluvião, no entanto, logo se esgotavam.
3. O ouro das rochas:  era o de mais difícil exploração pois demandava escavações.

Centros abastecedores da região mineira 

Os habitantes de Minas Gerais organizaram suas atividades principalmente em torno do ouro, fazendo surgir uma série de núcleos urbanos ou vilas próximas umas das outras, como Vila Rica (Ouro Preto), Congonhas do Campo, Ribeirão do Carmo (Mariana), Sabará e São João del Rei. Toda vila deveria ter um aparato administrativo básico, controlado pela Coroa: a Câmara Municipal, a cadeia, o pelourinho, funcionários e igrejas. Nesse núcleo urbano a metrópole tinha forte presença, inclusive nos impostos. Com o tempo, uma vila poderia torna-se uma cidade.
A exploração mineira favorecei também o desenvolvimento da atividade comercial na região, que se tornou um excelente mercado comprador de alimentos, roupas, ferramentas e outros produtos, fornecidos por inúmeros comerciantes de Portugal e da própria colônia. Assim, quase todas as partes da colônia passaram a se comunicar, incluindo o Amazonas, o sertão nordestino, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e até o Rio da Prata. A crescente importância econômica do Centro-Sul levou a metropóle a transferir a capital da colônia, de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763.
O Rio de Janeiro fornecia escravos africanos e muitos produtos europeus. São Paulo fornecia milho, trigo, marmelada e frutas. O Rio Grande do Sul, gado, cavalos e mulas negociados na feira de Sorocaba. A Bahia gado, produtos europeus e principalmente escravos. A economia mineradora articulou pela primeira vez a porção nordeste da Colônia - gado e escravo -, ao  sul, que abastecia minas com farinha de trigo, milho, frutas, marmelada, toucinho, mulas e gado bovino



Tropeiros e comerciantes


 
Tropeiros Pobres de São Paulo de Jean Debret,1823.Fonte:imagenshistoricas.blogspot.com
 Foi a constituição de um mercado interno que impulsionou a criação de gado em todo os sul do Brasil. Ali, desde a época das missões jesuíticas, os campos gerais, vasta região que compreendia os planaltos do Paraná e de Santa Catarina e os pampas do Rio Grande do Sul. Dois grandes fatores contribuíram para o aproveitamento das reses selvagens e a expansão da pecuária no sul. Em primeiro lugar, a forte demanda proviniente das Minas Gerais. Os tropeiros levavam consigo, além  de gados e mulas, ( havia preferencia pelas mulas por ser animal resistente e adquados ao terreno acidentado), alimentos como charque açúcar, toucinhos, peles, couro, ferramentas e produtos importados. O gado era comercializado na grande feira realizada entre maio e agosto em Sorocaba (SP).
Os tropeiros levavam para as Minas o "feijão tropeiro", feijão cozido com toucinho e misturado com charque e farinha. É um prato típico, encontrado ainda em todo o Estado.
Além de contribuir para o abastecimento das minas, o tropeiro impulsionou o povoamento do sul, até então, praticamente abandonado. Nos locais de parada das tropas, ranchos, pousos, fazendas, povoações e pequenos núcleos de comércio foram se estabelecendo e, posteriormente deram origem a vilas como Viamão, Lages, Lapa eCastro.
 
Fonte: peregrinacultural.wordpress.com
 As viagens dos tropeiros duravam vários meses e a jornada diária começava sempre ao nascer do Sol. Com as mulas carregadas, eles percorriam estradas e trilhas, atravessando rios, serras e campinas.
A tropa era guiada pelo fronteiro, encarregado de manter a expedição na rota correta. Em seguida, vinha o dono da tropa, que determinava o ritmo da jornada, procurando evitar o desgaste das mulas. Havia também também os peões tocadores que, por meio de gritos e assobios, mantinham o ritmo da marcha e tentavam evitar que algum animal se desgarrasse da tropa.
Essas viagens eram muito arriscadas, pois os tropeiros podiam ser atacados por animais selvagens e, também, por ladrões. Além disso, em algumas regiões, havia grupos indígenas que não permitiam que as tropas atravessassem seu território.
Ao viajarem de uma região à outra, os tropeiros muitas vezes abriam novos caminhos, aumentando o escoamento de mercadorias e criando redes de comunicação entre diferentes regiões da Colônia. Percorrendo caminhos que iam do extremo Sul ao Nordeste, do Mato Grosso até o Rio de Janeiro e outras regiões, eles contribuiram para a integração do território brasileiro.


As monções


 
Fonte:portalmultirio.rio.rj.gov.br
 .Para abastecer as regiões de mineração em Mato Grosso e Goiás, descobertas pelos bandeirantes no começo do século XVIII, foram organizadas expedições que ficaram conhecidas como monções. Os monçoeiros viajavam pelos rios em grandes canoas, cada uma delas com capacidade para transportar cerca de 20 pessoas, além das mercadorias que eram levadas para serem trocadas por ouro nas regiões mineradoras. Geralmente partiam de Porto Feliz, na margem do rio Tietê (SP), e chegavam até o rio Cuiabá (MG).
A administração das minas: muitos impostos
O controle da exploração pela coroa


A riqueza das minas pertencia à Coroa portuguesa, que concedia lotes (datas) aos mineradores para a exploração do ouro. O trabalho nesses lotes era realizado por escravos, em locais denominados lavras. Vendo no ouro a possibilidade de melhorar sua economia, Portugal organizou um forte esquema de controle sobre a região das minas.
Para administrar a região mineradora, a metrópole criou, em 1702, aIntendência das Minas, subordinada diretamente a Portugal, e não às autoridades coloniais. A Intendência controlava de perto a exploração aurífera. Era responsável pela distribuição dos lotes a serem explorados, denominados datas - que variavam de acordo com o número de escravos do minerador -, e pela cobrançã do quinto -imposto de 20% sobre o ouro encontrado.
O contrabando, contudo, era intenso. Para coibi-lo, a Coroa criou, em 1720, as Casas de Fundição. A partir de então, todo ouro encontrado nas minas ou nos garimpos deveria ser fundido em barras, tornando-se proibida a circulação do ouro em pó e em pepitas, formas mais fáceis de esconder e contrabandear. No momento de fundir o ouro, já era extraído o quinto pertencente à Coroa. O pagamento era comprovado pelo selo real, que certificava a cobrança do quinto. Era o chamado ouro quintado. Quem fosse encontrado portando ouro em pó ou em barras não quintadas poderia sofrer penas severas, que iam desde a perda de todos os bens até o exílio perpétuo em colônias portuguesas na África. Mais tarde a Coroa passou a cobrar um novo tributo: a capitação, que incidia sobre o número de escravos acima de 12 anos, produtivo ou não. O minerador que não possuísse escravos pagava uma taxa sobre si mesmo. A capitação, que veio substituir as Casas de Fundição, englobava também, lojas, hospedarias e oficinas. Quem não pagasse teria bens confiscados. As revoltas e os protestos levaram a Coroa a extinguir a capitação e reinstituir as Casas de Fundição.
Portugal insasiável por ouro, pois devia a Inglaterra muito mais do que podia pagar, além do imposto sobre o ouro extraído, instituiu outros, como os "direitos de entrada", que incidiam sobre a entrada de produtos que vinham de fora da região das minas; os "direitos de passagem", uma espécie de pedágio cobrado na passagem de alguns rios; e dízimos para a igreja.
Para dificultar mais ainda o ministro Marquês de Pombal determinou novas regras e aumento de impostos. Instituiu o pagamento de cotas de 100 arrobas anuais de ouro (arroba é uma unidade de medida de peso equivalente a cerca de 15 quilos). Portanto, a região das minas deveria pagar, em conjunto, o equivalente a 1500 quilos de ouro, arrecadados das Casas de Fundição.
Esse sistema funcionou até 1760. Entretanto, ano a ano, a produção aurífera decrescia e a cota anual nunca era alcançada. Pombal instituiu, então, a derrama, cobrança de todos os impostos impostos atrasados. Era feito por soldados metropolitanos autorizados a invadir casas e confiscar bens e propriedades, até  completar o valor correspondente às  100 arrobas. A medida provocou conflitos e insatisfações na colônia. Faltava pouco para que os mineiros se insurgissem naquela que ficou conhecida como Conjuração Mineira

 
Carlos Julião.Mineração de Diamantes.Séc.XVIII.Óleo sobre tela.Fonte:librarykiwix.org
 Diamantes

A descoberta de diamantes no Arraial do Tijuco, atual Damantina(MG), por volta de 1720, onde, inclusive, já havia ouro, foi motivo de muita comemoração.  Portugal decidiu, em 1729, criar o Distrito Diamantino. Delimitou a região em torno do distrito, suspendeu a mineração no seu interior, cancelou todas as doações de terras feitas anteriormente, proibiu o ingresso de ordens religiosas regulares e de aventureiros e criou o monopólio real sobre a extração de diamantes.Gerou uma implacável fiscalização e repressão na região para evitar o contrabando das pedras. Em 1734, a área foi demarcada, com sede no  Arraial do Tijuco. Portugal procurou proteger a região ferozmente. Não podiam entrar negros e pardos livres; foram fechadas tabernas e vendas; comerciantes foram expulsos. Ninguém entrava ou saia sem autorização. Tudo isso para garantir a ordem e, principalmente, evitar o contrabando. O Estado português criou uma estrutura de exploração diferente, que consistia em arrendar a área a interessados de origem portuguesa, oscontratadores. Eles deveriam pagar antecipadamente à Coroa uma parcela dos lucros, em troca de explorar com plena autonomia toda a região, fechada à entrada de novos exploradores. 
O enriquecimento dos contratadores aumentava seu poder na colônia, o que obrigou Portugal a modificar o sistema de exploração. Depois de retirar os contratadores da área, o próprio governo instituiu a Real Extração - órgão estatal encarregado da prospecção de diamantes -, conduzida por funcionários da Coroa. Também criou a Intendência dos Diamantes, orgão que tinha amplos poderes sobre a população do Distrito Diamantino. Seus fiscais podiam, por exemplo, confiscar bens e controlar a entrada no distrito e a saída dele.
 Entretanto, como forma de burlar as proibições e a intensa tributação, proliferaram as minerações clandestinas, chamadas degarimpos, nos quais o contrabando e o extravio de diamantes eram constantes.
Pesquisas recentes indicam que teriam sido extraídos, aproximadamente, 3 milhões de quilates de diamantes (cerca de 615 quilos, entre pedras legalmente extraídas e as do garimpo clandestino). Essas descobertas, somadas à produção aurífera, injetaram grandes recursos na economia portuguesa, a qual, apresentava uma difícil situação na segunda metade do século XVII, em grande parte devido ao declínio da agromanufatura açucareira. 

Revolta nas minas

 
Representação do julgamento de Felipe dos Santos. Fonte:historiadetudo.com
 Com a criação das Casas de Fundição e com o monopólio de comerciantes portugueses sobre produtos essenciais, setores da sociedade, em 1720, de Vila Rica, atual Ouro Preto, revoltaram-se contra o governo. Eles acreditavam que as Casas de Fundição dificultava a circulação e o comércio do ouro dentro da capitania, facilitando apenas a cobrança de impostos. Tal descontentamento acabou provocando a eclosão da chamada Revolta de Vila Rica, em 28 de junho de 1720.
Eram cerca de 2 mil revoltosos, e pretendiam a diminuição dos impostos e do preço dos alimentos, além do fim das Casas de Fundição. Esse grupo - composto de donos de grandes lavras(grandes unidades de exploração de ouro,com mão de obra escrava), e de parte da população, incluindo centenas de escravos armados por seus senhores .
Entre os revoltosos, estava um rico tropeiro de origem portuguesa  Felipe dos Santos, reconhecido  pelo governo como principal lider do movimento. Os revoltosos conseguiram dominar Vila Rica por alguns dias. Apanhado de surpresa, o governador fingiu aceitar as exigências e prometeu acabar com as Casas de Fundição, ganhando tempo para organizar suas tropas e reagir energicamente.
Soldados foram enviados do RJ para sufocar a revolta, e a repressão portuguesa foi violenta: os lideres do movimento foram presos, e Felipe dos Santos foi condenado, enforcado e esquartejado em praça pública, em 16de julho de 1720.  Além de manter as Casas de Fundição, o governo português resolveu desmembrar a região de Minas Gerais da capitania de São Paulo, para melhor controlá-la.


A Guerra dos Emboabas

As pessoas que chegavam à região das minas entraram em choque com os Paulista, que, por terem sido os descobridores, julgavam-se no direito de explorar o ouro sozinhos. Entretanto, muitos portugueses vindos da metrópole ou de outras partes da própria colônia também queriam apoderar-se das jazidas descobertas. A tensão cresceu quando portugueses passaram a controlar o abastecimento de mercadorias para a região das minas.  Ocorreram, então, entre paulista  e portugueses, conflitos violentos que ficaram conhecidos como Guerra dos Emboabas. O termo emboaba era usado de forma injuriosa pelos paulista para designar os "forasteiros","pessoas que vem de outras regiões" (lusitanos, baianos, pernambucanos), Por sua vez, esses forasteiros chamavam os paulistas de bandoleiros sem lei. 
Um dos principais chefes dos emboabas foi Manuel Nunes Viana, pecuarista e comerciante da região do rio São Francisco que liderou tropas contra os paulistas, vencendo-os em Sabará e Cachoeira do Campo. O conflito teve fim em 1709, em um local que ficou conhecido como Capão da Traição, quando muitos paulistas foram mortos por tropas de emboabas. Entre os resultados desse conflito temos: Maior presença da metrópole, com firme controle administrativo e fiscal; elevação da vila de São Paulo à categoria de cidade; e descoberta de ouro pelos Paulistas próximo a Cuiabá (MG), em1718, e em uma região localizada no atual estado de Goiás, em 1725, região pertencentes na época à Capitânia de São Paulo.

Para onde foi tanta riqueza?

A produção aurífera brasileira foi bastante significativa nos primeiros 60 anos do século XVIII. Nesse período, calcula-se que o Brasil produziu mais ouro do que toda a América espanhola em quase quatro séculos. Acredita-se que a quantidade do metal extraída da colônia portuguesa nesse período foi de cerca de 50% de toda a produção mundial entre os séculos XV e XVIII. E então com quem ficou o ouro brasileiro?
Com certeza toda essa riqueza não ficou na colônia nem foi utilizada para seu desenvolvimento. É inegável que a região das minas apresentou vigor econômico e cultural, como mostram as ruas, os templos e os edificios construidos. Ma isso representa uma parte pequena da produção total das minas.
Se Portugal não conseguiu resolver totalmente seus problemas financeiros, bastantes sérios, principalmente após o dominio espanhol (1640) e nunca conseguiu sair de sua dependência da Inglaterra.
Muitos historiadores acreditam que a  atividade mineradora no Brasil acelerou o desenvolvimento do capitalismo europeu, já que toneladas de ouro foram levadas para a Europa, por intermédio de Portugal, na forma de impostos ou pagamento pelos diversos produtos importados, especialmente os manufaturados ingleses.
Os termos do Tratado de Methuen, assinado em 1703 com os ingleses e conhecidos como "tratado dos panos e vinhos", inviabilizaram o desenvolvimento industrial em Portugal, ao obrigá-lo a importar produtos manufaturados da Inglaterra por preços elevados, o governo português estava sempre em dívidas. Diante de suas dificuldades econômicas, o governo português utilizava boa parte do ouro brasileiro para pagar as dívidas desse comércio. Na Inglaterra, as riquezas obtidas do império português impulsionaram o  seu desenvolvimento econômico.
"Algo semelhante ocorria com a Espanha. Endividada, transferia a prata extraída na América a grandes banqueiros estrangeiros. Como, da mesma forma que Portugal, os espanhóis não investiram na produção manufatureira interna, ampliava-se sua dependência de produtos externos. E era, em grande medida, o fluxo de metais preciosos da América que sustentava essas importações."   

Tráfico Negreiro

                                         TRÁFICO  NEGREIRO
Fonte imagem: gl.wikipedia.org


O Tráfico negreiro antes da chegada dos portugueses na África

A escravidão era conhecida na África negra  (região subsariana = sul do  deserto do Saará) desde tempos remotos, mas tratava-se de escravidãodoméstica, para serviços caseiros e em pequena escala. Somente com a chegada dos árabes é que se introduziu a procura maciça de escravos negros, sendo os sudaneses os preferidos.
Assim, o norte da África foi invadido por árabes beduínos, onde converteram a maioria dos berberes (povos de pele clara) ao islamismo. O domínio árabe intensificou as ligações comerciais entre o norte e o Sudão (África negra).
 Percorrendo o deserto de norte a sul, as caravanas de camelos traçaram uma rede de contatos comerciais constituídas pelas rotas denominadas "transaarianas". O sal, o ouro e os escravos eram os principais  artigos desse comércio.
O sal, um produto de primeira necessidade no Sudão, era extraído nas salinas do Saará. Os mercadores do norte trocavam o sal no Sudão Ocidental por cereais, ouro e escravos. Estes destinavam-se ao trabalho nas salinas, de onde tinham poucas chances de retornar.
O ouro era retirado nas regiões do Alto Senegal e levados por  mercadores árabes ao norte da África, como Ceuta, Tânger e Tunísia, Marrocos pontos terminais das rotas transarianas, frequentadas porjudeus e genoveses entre outros.

Os mercadores muçulmanos já em 642 passam a se interessar pelos recursos humanos da África negra A primeira expedição dirigiu-se a Núbia, onde um rei local aceitou pagar um tributo anual de 360 escravos de ambos os sexos.
Durante muito tempo, as expedições transaarianas teriam um impacto muito limitado. Porém a partir do século XVI que  o tráfico se organiza e passa a alcançar proporções cada vez maiores.
O tráfico negreiro organizou-se de maneira pacífica. Donos da costa sul do Mediterrâneo e da península Arábica, os muçulmanos comandavam as rotas comerciais africanas.
Esse comércio dava muitos lucros, pois a moeda utilizada era pequenas conchas coloridas, chamadas cauris, com as quais os árabes, e depois os europeus, enchiam seus porões no oceano Índico. Eles também gostavam de manufaturas como tecidos, pedaços de cobre , ferro e vidro.

No final da Idade Média, os soberanos africanos passam a comprar armas e cavalos. Artigos considerados de luxo: um cavalo valia de 15 a 20 escravos. Bem equipados eles devastavam os vilarejos capturando mais pessoas e vendendo-as como escravos.
Até os século XVI, o tráfico negreiro estava nas mãos dos muçulmanos, e mercadores árabes ou persas, vendiam escravos negros, famosos pela força e pelo vigor, nas costas do Mediterrâneo, assim como em todo o oceano Índico e até na China (Cantão)
Logo os chineses se interessaram pelo tráfico, lançando várias expedições marítimas nessa direção. Porém, o monopólio muçulmano só viu-se ameaçado quando os portugueses começaram a navegar as costas da África, no final da Idade Média, aumentando ainda mais a desgraça e o sofrimento desse povo. 

Texto extraido do livro História do Brasil no contexto da história ocidental de Luíz Koshiba,ed. Atual e da revista História viva, ano VII, nº 80.

O Engenho no Brasil colônia

                    
Escravo sendo castigado. Debret


A difícil vida dos africanos  que vinham, de forma compulsória, para trabalhar na América portuguesa, já era terrível durante a viagem de travessia do Atlântico. 
A travessia do "Atlântico Negro" durava mais de dois meses. Espremidos nos porões dos navios negreiros ou tumbeiros, milhares de homens, mulheres e crianças suportavam calor, sede, fome, sujeira, ataques de ratos e piolhos, surto de sarampo ou escorbuto. Amontoados nos porões,durante o percurso eles tinham de permanecer sentados, acorrentados uns aos outros e com a cabeça inclinada. Muitos não resistiam, e acabavam jogados ao mar. 
A chegada ao Brasil significava o fim de uma longa jornada de horror. No entanto, era apenas o início de outras tantas atrocidades que o escravo ainda teria de enfrentar.
Chegando a colônia os sobreviventes, eram encaminhados para grandes armazéns, onde seriam negociados.
Eram eles que realizavam quase todo o trabalho: na lavoura, nas casas, na exploração mineira, nos serviços urbanos, no transporte de pessoas e mercadorias. Trabalhavam até o limite máximo de suas forças.
Nos engenhos, por exemplo, a jornada diária  de trabalho durava de 14 a 17 horas, sob a vigilância dos feitores, que tinham ordens de castigar os "preguiçosos".
Os castigos, aplicados em público para servir de exemplo aos demais, eram cruéis: açoite, amputação, palmatória, tronco, máscara e coleira de ferro, correntes com peso. Considerava-se o castigo físico um direito e um dever dos senhores.
Os escravos urbanos tinham maior liberdade de locomoção e muitos trabalhavam sem a restrita vigilância dos senhores. Havia senhores urbanos que cediam em aluguel seus escravos a outras pessoas, como também eram uma fonte de riqueza importante, pois exerciam ofícios recebendo uma remuneração que revertia para seus donos.
Os escravos de ganho conseguiam às vezes guardar parte dos rendimentos que recebiam e assim, após décadas de poupança, foi possível a alguns comprar a sua liberdade. Alguns escravos libertos,  adquiriram escravos para si.
Vendedor de Leite. Pintura de Debret.
Fonte: asminasgerais.com.br
Os escravos reagiram de diversas formas à escravidão: com vinganças contra os feitores, sabotagens, revoltas e fugas. O escravo capturado era marcado com ferro em brasa, no peito ou na testa, com a letra F (fujão); ou, então, amputava-se alguma parte de seu corpo - a orelha ou o pé, por exemplo.
Mas havia também os que conseguiam fugir e formar quilombos. o maior deles foi o Quilombodos Palmares ( na região dos atuais estados de Alagoas e Pernambuco), que conseguiu reunir cerca de 50 mil quilombolas entre 1630 e 1695.   
O tráfico negreiro provocou um dos maiores deslocamentos populacionais da história da humanidade. Os pioneiros nesse lucrativo negocio foram os portugueses, seguidos pelos espanhóis, atraídos pelo comércio de escravos e pelo ouro. Os espanhóis foram ao papa reivindicar o direito de também fazer negócios na costa africana. No entanto, foi confirmada a primazia lusitana.
Os portugueses foram senhores absolutos no tráfico ao longo de todo o século XVI, quando a conquista da América aumentou a demanda por escravos. No interessante livro História Geral do Brasil, Francisco Teixeira da Silva, coloca que a escravidão para os portugueses, era considerada justa por  trazer os infiéis para a Igreja, instituição forte  em Portugal. Inicialmente os portugueses escravizavam os mouros para trabalhos domésticos e nas lavouras; mais tarde vieram os canários  (moradores das ilhas do atlântico norte, Canárias),utilizados nas ilhas dos Açores,Madeira,São Tomé e Cabo Verde, nas lavouras de cana-de-açúcar, por fim, os negros, tomados na costa d'África. A partir do século XVII aparecem também os franceses e ingleses, para fazer concorrência aos ibéricos.
Nesse momento, o tráfico transatlântico já havia se transformado em uma indústria, que iria crescer cada vez mais, até atingir o ápice no século XVII, e seu declínio no século XIX, com a proibição do trânsito de navios negreiros no Atlântico.

A seguir algumas gravuras de Jean-Baptist Debret.
Paris, 1768 a 1848. Pintor e desenhista francês. Integrou a Missão Artística Francesa (1816), que fundou no Rio de Janeiro. Publicou Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil (1834-39). Nessa obra Debret reflete forte influência do iluminismo francês, pois, não preocupa-se em apenas retratar batalhas, mas mostra aspectos da natureza, do homem e da sociedade brasileira do início do século XIX, retrata seu cotidiano,seu povo,seus costumes,sua expressão, suas festas. 




Escravo no Pelourinho. Debret
                           Fonte: trilhahistorica.blogspot.com



Escravos transportando um proprietário em rede. Debret
Fonte: Tg3.com.br


Fonte: Portalsaofrancisco.com.br


Escravo castigado com palmatória. Debret
            Fonte: contoseafinslucianesilva.blogspot.com

Debret.
                                                                              Fonte: galeriaphotomaton.blogspot.com


Debret aves.jpg.
                                                                           http://www.pintoresdorio.com/




Escravos para serem vendidos no mercado    
Fonte: lab-eduimagem.pro.br                                                                 

                                             

Expansão marítima

   EXPANSÃO MARÍTIMA





A expansão marítimo-comercial compreende o período das grandes viagens empreendidas pelos países europeus nos séculos XV e XVI em busca de riquezas além-mar. Inseridas no contexto do desenvolvimento do mercantilismo, elas resultaram numa importante revolução comercial e na formação de vastos impérios coloniais.
Alguns motivos para as navegações


Era necessário quebrar o monopólio árabe-italiano no comércio de especiarias(cravo, canela, pimenta, noz-moscada, gengibre) e de artigos de luxo ( porcelana, tecidos de seda, marfim, perfumes). Até então, os mercadores de cidades como Gênova e Veneza controlavam a entrada de todos os produtos vindos do Oriente ( Ásia e África). Era preciso encontrar outras rotas que evitasse o mar Mediterrâneo.


  • A grande crise dos séculos XIV e XV: A Guerra dos Cem Anos entre França e Inglaterra marcou toda a Europa, comprometendo as rotas comerciais terrestres que cruzavam a França. E, por sua vez a peste negra trouxe uma forte retração nas atividades comerciais, uma vez que dizimou a população. E, também para completar veio uma grande fome sob a população, devido a falta de alimentos. Era necessário conquistar novos mercados, fora da Europa, que fornecessem alimentos e também matéria-prima para incrementar as atividades econômicas.


  • Novos mercados para o artesanato e as manufaturas urbanas precisavam ganhar novos consumidores. Do contrário, permaneceriam estagnados, atendendo apenas às modestas necessidades de consumo das populações locais.
  • A Europa vivia um momento de esgotamento das minas de metais preciosos, o que bloqueava o comércio e provocava uma verdadeira sede de ouro. Era necessário descobrir jazidas de metais preciosos em outras regiões do mundo.
  • Foram os Estados nacionasi, já fortalecidos que impulsionaram a expansão marítima. O rei estaria assim, aumentando seus poderes, a nobreza manteria seus privilégios e a burguesia, aumentaria seus lucros.
  • Propagação da fé cristã.
  • Evolução tecnológica apropriada: navios, mapas, instrumentos de navegação ( bússola, do astrolábio e do quadrante, a caravela), a aceitação do conceito de que a Terra é redonda, etc.

A navegação marítima



No século XV, como não se conhecia o tamanho e a forma exata do planeta, quase todos tinham medo das longas viagens marítimas, principalmente pelo oceano Atlântico, conhecido como "Mar Tenebroso". Além disso, fantasias e lendas criavam um clima de insegurança entre os marinheiros.

Entretanto, a possibilidade de enriquecimento e de viver em melhores condições fazia com que muitos participassem das grandes viagens, mesmo temendo o mar. O tempo e a experiência marítima foram mostrando que muitos medos era justificados (tempestades ou naufrágios) e outros eram imaginários ( monstros marinhos e abismos, por exemplo).

A vida dos marinheiros nos navios não era fácil. Os alojamentos da tripulação eram imundos, rústicos e apertados, e as viagens, longas e desconfortáveis. Muitos morriam de escorbuto, devido à escassez de legumes e verduras (fontes de vitaminas C) na alimentação.

Contudo, diversas inovações técnicas colaboraram para o desenvolvimento da navegação marítima de longa distância, como a caravela, a cartografia e a bússola. A caravela foi a principal embarcação marítima utilizada pelos portugueses, era um navio de estrutura leve movido pelo vento; sua principal característica era a vela de formato triangular (latina), que podia ser ajustada em várias direções para captar a força do vento. Assim, qualquer que fosse o sentido do vento, a caravela podia navegar na direção desejada pelo piloto. Com as viagens marítimas, a cartografia(elaboração de mapas) teve significativo desenvolvimento. A partir do século XV, surgiram mapas com os primeiros registros das terras descobertas na África e na América. Esses mapas eram considerados verdadeiros segredos de Estadi, mas as informações circulavam quando o navegador de um país passava a servir a outro.

Outro instrumento de orientação espacial introduzido na navegação européia desse período foi a bússola, cuja invençaõ é atribuída aos antigos chineses. Foram, porém, os árabes que a levaram para a Europa, onde começou a ser utilizada pelos navegadores.

Trecho do livros História Global de Gilberto Cotrim

Expansão portuguesa

Com a unificação como monarquia nacional desde 1385, quando João I venceu a disputa com o reino de Catela e assumiu o trono do país na Revolução de Avis, Portugal foi a primeira nação européia a lançar-se ao oceano Atlântico. Além do governo forte, outros fatores que explicam a primazia portuguesa são a posição geográfica favorável, a situação de paz interna (ao contrário da França e da Inglaterra, envolvidas na Guerra dos Cem Anos), a determinação de disseminar a fé cristã e a avançada tecnologia náutica, cujos estudos - que resultaram na invenção da caravela- se concentravam na célebre Escola de Sagres.

Principais fases da expansão portuguesa

  1. A conquista de Ceuta

Dominada por árabes, Ceuta era um rico centro de negócios e militar situado no norte da África, onde se vendiam e compravam sedas, marfim, cera, mel, ouro e escravos. Entretanto, a conquista portuguesa deu-se de forma tão violenta e destrutiva que os comerciantes árabes afastaram-se da cidade. Depois de saqueada pelos portugueses, Ceuta perdeu seu brilho como centro comercial.

  1. A chegada de Vasco da Gama às Índias

O sonho dos portugueses era: chegar às Índias contornando a costa do continente africano (périplo africano). Para isso, os portugueses foram, pouco a pouco, avançando pela costa africana e estabelecendo feitorias (postos comerciais, onde obtinham ouro, sal, marfim, pimenta e escravos) pelo litoral. Finalmente, em 1498, Vasco da Gama chegou às Índias (Calicute), realizan0do o sonho dos portugueses. 

Ampliam-se os horizontes para Portugal

  1. 1415 : Conquista de Ceuta.
  2. 1434 : Gil Eanes ultrapassa o cabo Bojador, considerado um temido obstáculo pelos portugueses.
  3. Em 1460, Portugal já havia chegado até a região da atual Serra Leoa. E para ajudar o católico país de Potugal, o papa Eugênio IV, garantiu-lhe através de uma bula o monopólio comercial no continente africano e o direito de "capturar e subjugar os sarracenos(muçulmanos) e pagãos (africanos) e qualquer outro incrédulo ou inimigo de Cristo, como também seus reinos,ducados, principados e outras propriedades, assim como reduzir essas pessoas à escravidão perpétua.
  4. Em 1488 Bartolomeu Dias dobrou a extremidade sul do continente africano, chamando o acidente geográfico ali encontrado de cabo das Tormentas, mudando esse nome para cabo da Boa Esperança.
  5. Em 1498 Vasco da Gamoa chega a Calicute, na Índia atual. Era a prova definitiva de que se podia chegar ao Oriente sem passar pelo Mediterrâneo.
  6. Em 1500 Pedro Álvares Cabral afastando-se da costa africana alcançou terras a oeste do Atlântico Sul. As razões desse afastamento - se propositado ou acidental - são discutidas até hoje entre alguns historiadores. Cabral avista um monte que recebeu o nome de monte Pascoal (por ser a semana da Páscoa); aterra foi batizada com o nome de Vera Cruz, posteriormente alterado para Terra de Santa Cruz. O nome atual, Brasil, só passou a ser adotado apartir de 1503, devido à grande quantidade da árvore chamada pau-brasil encontrada no litoral. Após isso, Cabral segue viagem em direção à Índia, a fim de estabelecer tratados de comércio com os povos do Oriente

Pero Vaz de Caminha, escrivão de Cabral descreve o Brasil ao rei de Portugal:

Esta terra, Senhor, é muito chá e muito formosa. Nela até agora não podemos saber se haja ouro, nem prata, nem nenhuma coisa de matal..., porém a terra em si é de muioto bons ares: as águas são muitas, infindas; em tal maneira é graciosa, que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela de tudo, porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente... 

  1. Em 1501 o florentino Américo Vespúcio, a serviço do rei de Potugal, mapeou essas terras, chegando à conclusão de que não faziam parte das Índias, mas sim de um novo continente que, em sua homenagem, passou a ser chamado de Ámérica.





Entretanto, o enriquecimento do reino português era apenas aparente. Além de contar com o escassos recursos humanos e materiais, seus empreendimentos marítimos não condiziam com a dependência em relação a outros centros, especialmente as companhias comerciais holandesas e italianas. Interesses mercantis submetidos aos da coroa e nobreza a ela associada sugavam recursos e se tornariam mais um entrave ao desenvolvimento comercial. Assim, o capital gerado no processo acabou sendo transferido para outros centros europeus, seja pela dependência de financiamentos externos, seja pelos gastos da coroa e da nobreza, o que impediu um processo e acumulação de capitais para investimentos dentro do próprio reino.

Expansão Espanhola


Ocupados com a unificação dos reinos locais de Aragão e Castela, que ocorreu em 1469, e com a expulsão dos árabes, na Guerra da Reconquista, que só se concluiria em 1492, os espanhois começaram sua expansão marítima um pouco mais tarde. Em 1492, os reis Fernando de Aragão e Isabel de Castela aprovaram o audacioso plano de Cristóvão Colombo de chegar ao Oriente indo rumo ao Ocidente. No meio do caminho, no entanto, o navegador deparou com a ilha de Guanaani, atualmente San Salvador, parte das Bahamas. O episódio ficaria conhecido como o descobrimento da América. Porém, até então, pensava-se que as terras faziam parte da Ásia. Sendo assim, Portugal reivindicou direitos sobre as áreas descobertas, e, em 1493, as duas potências assinaram , sob a intermediação do papa Alexandre VI, a Bula Intercoetera, por essa os espanhois tinham assegurado a posse das terras americadnas descobertas ou a descobrir. Restava a Portugal a posse das terras africanas. Substituída no ano seguinte pelo Tratado de Tordesilhas, dividindo entre si as terras já conhecidas e as que ainda seriam descobertas por meio de uma linha imaginária localizada a 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde. As terras situadas a oeste do meridiano de Tordesilhas pertenceriam à Espanha, enquanto as terras a leste seriam portuguesas. O "mundo descoberto" foi, assim, dividido entre portugueses e espanhóis. Entretanto, outros reis como o da França e o da Inglaterra, não concordavam com essa divisão.



Outros navegadores espanhóis


  1. 1499: Alonso Ojeda chega à Venezuela.

  2. 1500: Vicente Pinzón chega ao Brasil, no Amazonas

  3. 1511: Diogo Velasquez conquista Cuba.

  4. 1512: Ponce de León conquista a Flórida.

  5. 1513: Vasco Nunez Balboa alcança o oceano Pacífico.

  6. 1516: Dias Sólis chega ao rio da Prata.

  7. 1519: Fernão de Magalhâes e Sebastião del Cano partem para a primeira viagem de circunavegação( volta completa ao mundo). Magalhâes morre durante a viagem e Sebastiâo completa viagem em 1521.

  8. 1519: Fernão Cortez inicia a conquista do México.

  9. 1531: Francisco Pizarro inicia a conquista do Peru.

  10. 1537João Ayola chega ao Paraguai.

  11. 1541: Francisco Orellana explora o rio Amazonas.

Navegações Francesas, Inglesas e Holandesas.

Igualmente interessados em um novo caminho para o Oriente, e , não aceitando o Tratado de Tordesilhas, que dividia o mundo de então, entre Portugal e Espanha, franceses e ingleses lançaram-se às explorações marítimas, concentrando-se no Atlântico Norte, pois espanhois e portugueses já se dedicavam às rotas do Atlântico Sul. Com isso, supunham que poderiam encontrar uma "passagem noroeste" para a Ásia. A sonhada passagem noroeste não foi encontrada, mas possibilitou que França e Inglaterra ocupassem a parte norte da América, além de praticar a pirataria. Na Inglaterra, a pirataria foi oficializada. A monarquia inglesa autorizava ataques e pilhagens contra navios de nações inimigas, desde que os piratas (chamados de corsários ) dividissem os lucros dos saques com o governo inglês. 

  • França: 1524: Giovano Verrazano explorou vasta região do litoral leste da América do Norte. 1534: Jacques Cartier explorou a região do atual Canadá navegando pelo rio São Lourenço.
  • Inglaterra: 1497: Giovanni Caboto atingiu a América do Norte (atual Canadá). 1577: Francis Drake, pirata inglês, empreendeu a segunda viagem de circunavegação, assaltando navios espanhóis.
  • Holanda: 1609: Henry Hudson, descobriu na área que hoje corresponde aos EUA o rio que atualmente leva o seu nome (rio Hudson). 1624: A Companhia das Índias Ocidentais, invade a Bahia, no Brasil. 1630: Forçados a se retirar da Bahia, os holandeses atacaram Pernambuco e conquistaram a região açucareira. Permaneceram no Brasil até 1654.

Consequências das navegações

Além de resultar na formação de enormes impérios coloniais, principalmente na América, a descoberta de novas terras e rotas comerciais provocou alterações profundas na sociedade européia. O Velho Mundo se tornou o centro e o principal beneficiado de um comércio mundial que interligava quatro continentes. Por causa disso, a diversificação dos produtos e o aumento dos valores negociados proporcionaram um enriquecimento maciço das burguesias. Essas mudanças, ficaram conhecidas como Revolução Comercial. Podemos definir a Revolução Comercial como o conjunto de mudanças que se operaram na economia mundial entre os séculos XV e XVII,consolidando de forma definitiva os alicerces do mundo capitalista. O mar Mediterrâneo, que constituía o principal eixo econômico europeu, acabou sendo suplantado pelo oceano Atlântico. O desenvolvimento da navegação através desse oceano possibilitou o acesso a vastíssimas regiões do globo até então desconhecidas dos europeus, tornando o comércio uma atividade de escala mundial.

A exploração das terras americanas, africanas e asiáticas significou, assim, não só a ampliação das opções de comércio, mas também a maior diversificação dos produtos comercializados e a expansão dos mercados consumidores e abastecedores. Além disso, a descoberta das jazidas minerais americanas assegurou o afluxo de grandes quantidades de metais preciosos, solucionando o problema da carência monetária européia. Assim, a expansão marítima, e o comércio europeu, estabeleceriam as condições financeiras necessárias para a burguesia européia produzir, por meio da acumulação primitiva de capitais, verificada durante o período da Revolução Comercial, uma transformação ainda maior: a Revolução Industrial.

O poeta Fernando Pessoa ao escrever sobre as navegações, está também, refletindo temas atuais e universais que preocupam os homens hoje.

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "navegar é preciso; viver não é preciso".

Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não canto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torna-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a mina alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade, ainda que para isso tenha de a perder como minha (...).

Mar português

Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele espelhou o céu.

Personagem:Zheng He (1371-1435) enquanto os portugueses se preparavam para iniciar suas viagens ultramarinas em direção ás Índias um navegante chinês, já dominava o oceano Índico. Eunuco oriundo de família muçulmana a serviço do imperador chinês. Entre 1405 e 1433, ele realizou sete expedições pelo oceano Índico, chegando à Índia, ao golfo Pérsico, à África oriental e ao sudeste da Ásia. Uma dessas expediçoes contou com uma frota de 62 embarcações e cerca de 30 mil marinheiros. Nessas viagens, os chineses entraram em contato com cerca de quarenta reinos, estabelecendo relações comerciais e diplomáticas com eles. Zheng He navegava com o auxílio de uma bússola, instrumento inventado pelos chineses quase 2 mil anos antes.